13/08/2022
 
 
O estado a que isto chegou

O estado a que isto chegou

Sónia Leal Martins 05/08/2022 14:19

O que interessa ao PS e ao seu governo não é a resolução dos problemas reais do país e dos portugueses, mas sim a construção de uma realidade que só eles conseguem ver, que é tão irreal que começa a ser difícil alguém acreditar

Em Ciência Política aprendi que existem vários tipos de Estados, os comunistas, os capitalistas, os fascistas e os nazistas, existindo ainda algumas variantes em cada um deles. Podemos ainda acrescentar, como um dia afirmou Salgueiro Maia, o estado a que isto chegou.

Portugal enfrenta neste momento uma crise sem precedentes devido ao aumento do custo de vida – a inflação ultrapassou os 10% e atingiu um máximo histórico desde 1988, o SNS está ligado ao ventilador, em estado grave, a Proteção Civil e os Bombeiros deram entrada nos cuidados intensivos e as forças de segurança, há muito que lutam pela vida, mais casos poderíamos apontar, todos prontos a entrar numa unidade de cuidados intensivos -  o caos no Aeroporto, os tripulantes do INEM que não existem, os professores que não chegam, mas, como dizia a Sra. Ministra da Saúde “a vida tem problemas”, o SNS tem problemas e diria eu, consequentemente o país terá problemas.

No debate do Estado da Nação, a bancada do PS fez um retrato de Portugal, que, confesso, questionei-me se teria viajado, não é o país real, mas é o país que o PS tão bem sabe vender e que lhe rendeu uma maioria absoluta. É o país onde os mais desfavorecidos têm uma superproteção do Estado, que têm um SNS de excelência, onde uma grávida tem de fazer mais de 100km para ter acesso a cuidados de saúde, onde os profissionais de saúde estão esgotados e abandonam a profissão, mas por sorte, porque os portugueses são uns sortudos ainda têm o governo a controlar a subida dos custos da energia, somos de facto uns privilegiados.

Nesta lógica socialista, o país quase que poderia ser um case study de uma Universidade de Harvard – uma governação exemplar, onde todas as instituições do Estado funcionam harmoniosamente e a sua população vive cada vez melhor. É caso para dizer, vivemos num mar de rosas.

Assim sendo, a grande preocupação do PS e do seu governo só pode recair no único problema que existe no país, o principal partido da oposição, concretamente no seu suposto posicionamento ideológico e na sua não decisão sobre uma decisão estratégica para o país (localização do novo Aeroporto de Lisboa).

Na retórica socialista, o PPD-PSD é o grande responsável por nos encontrarmos na cauda da Europa, sendo que nos últimos 27 anos, governou 7, e desses 7, os últimos 4 (2011-2015) foram dedicados a retirar o país de uma bancarrota trazida por um exemplar governo do PS, liderado por José Sócrates e que teve António Costa como número dois.

Mas o PS vai alimentando a comunicação social e os portugueses de que, tudo vai mal porque ainda não conseguimos recuperar de uma política de austeridade que o governo de Pedro Passos Coelho teve de recorrer para não deixar de pagar salários aos funcionários públicos e pensões – caso contrário teria sido a falência do Estado e a crise de que tanto se fala teria tido outra dimensão.

O PS vai apelidando Pedro Passos Coelho de ultraliberal, alguém que se esqueceu dos que menos podem e que se recusou a taxar as grandes fortunas, já os governos do PS e as suas políticas são de uma consciência social sem precedentes.

Será que os dirigentes do PS andam na rua? Ouvem os empresários e as suas angústias? Ouvem a população em geral? Sabem das suas dificuldades? Claramente que não, até porque isso pouco importa.

Ainda esta semana, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior fez sair uma notícia que dava nota que no próximo ano letivo ninguém ficará de fora do ensino superior por falta de condições financeiras. Será que vai ser mesmo assim? Sabemos que não, que há muitas famílias que não conseguem colocar os seus filhos a estudar, mas isso já não é um problema do governo, porque criou os mecanismos necessários para os mais desfavorecidos, falta de sorte dos que não cumprem os requisitos para poderem ser abrangidos.

Outro caso recente, que só não dá para rir porque é demasiado grave, é o das forças de segurança que estão há muito no seu limite. Os representantes sindicais da PSP vieram alertar que no mês de agosto muita esquadras iam fechar, o que na verdade se verificou. Mas rapidamente o governo apresentou uma solução, exibida com poupa e circunstância – os serviços móveis. A primeira unidade móvel avariou com apenas 4h de serviço. É caso para dizer, é o que há.  

O que interessa ao PS e ao seu governo não é a resolução dos problemas reais do país e dos portugueses, mas sim a construção de uma realidade que só eles conseguem ver, que é tão irreal que começa a ser difícil alguém acreditar.

Se isto não é o caos, digam-me o que é.

Ler Mais

Os comentários estão desactivados.


×

Pesquise no i

×
 


Ver capa em alta resolução

iOnline