13/08/2022
 
 

Enquanto houver gelo, há esperança

Bem sei que é difícil adaptarmo-nos a alterações – quem não gosta de abrir a torneira e ver a água correr? – mas a nova realidade obriga-nos a perceber que temos de nos reinventar. 

Foram muitos anos, mesmo muitos, habituados a fazer uma vida citadina, longe das dificuldades de outras latitudes. Recordo-me que comecei a dar outro valor à água quando andei por África, já que via que o precioso líquido era estimado, é mesmo essa a palavra, como nunca tinha pensado – já que faltava – pois estava habituado em Portugal a abrir a torneira e ver a água a correr. Mas lá, não. Tirando os hotéis e os condomínios privados, todos tinham que se desenrascar ou com reservatórios de água ou indo buscá-la onde existia.

Se em Angola a falta de água se devia apenas a questões de infraestruturas, já que existe com fartura, agora, na Europa, debatemo-nos com a escassez do líquido devido às alterações climáticas ou por razões que desconheço. Vi com estupefação que, no Algarve, em algumas regiões a falta de gelo nos supermercados era uma constante. Fez-me confusão, já que pensei que fosse apenas um problema comercial. Mas não. Vejo agora nos jornais espanhóis que falta gelo nos hipermercados, devido à grande procura e ao aumento dos preços do produto.

Esquecendo a árvore e entrando na floresta, é evidente que vamos ter de mudar os nossos comportamentos, apesar de não estarmos preparados para isso. As alterações climáticas, os efeitos da pandemia, as mudanças com a guerra na Ucrânia alteraram o mundo. Até parece que, de repente, há menos pessoas, menos médicos, menos pilotos, menos combustível ou menos gelo, entre dezenas de produtos. O mundo mudou quase misteriosamente. Ou alguém consegue explicar facilmente o desaparecimento de tantos trabalhadores na área da saúde ou na aviação, por exemplo?

Bem sei que é difícil adaptarmo-nos a alterações – quem não gosta de abrir a torneira e ver a água correr? – mas a nova realidade obriga-nos a perceber que temos de nos reinventar. Num mundo onde há menos água potável, mais calor, menos produtos agrícolas, mais cheias, mais catástrofes, menos combustíveis, ou pelo menos mais caros, precisamos de saber aproveitar o que temos. Como dizem os “mangas”, a vida é como uma montanha russa, umas vezes em cima, outras em baixo. Mas nada de dar demasiada importância a qualquer um dos momentos. E, já agora, enquanto há gelo, há esperança. Não fosse esta uma das máximas penduradas nas paredes do Gigi.

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