09/08/2022
 
 
Ucrânia. Guerra não corre bem a Putin, avisam nacionalistas russos

Ucrânia. Guerra não corre bem a Putin, avisam nacionalistas russos

DR João Campos Rodrigues 06/07/2022 08:13

Analistas ocidentais e alguns dos mais extremistas nacionalistas russos estão de acordo. Os invasores poderão ter grande dificuldade em avançar por Donetsk, onde os ucranianos vão cavando extensas trincheiras. 

Estranhamente, analistas ocidentais e alguns dos mais extremistas nacionalistas russos concordam em algo. Ambos consideram que a tentativa de Vladimir Putin de apresentar a conquista de Lugansk como uma enorme vitória procura esconde o desastre que tem sido a sua invasão. E a teimosa defesa de Severodonetsk, com ferozes combates urbanos que se arrastaram durante quase 90 dias, antes da rápida retirada desta cidade e de Lysychansk, deu tempo aos ucranianos de fortalecer a sua linha defensiva mais a sul, naquilo que sobra de Donetsk. 

Apesar do tom celebratório, o próprio Presidente russo deu a entender estar bem ciente do pesado custo que as suas forças pagaram para tomar Lysychansk, uma cidade onde costumavam viver menos de cem mil pessoas. Gabando-se da perda de mais cinco mil tropas ucranianas, bem como de quase duzentos tanques, 12 aeronaves, quase 70 drones e cem lança-mísseis, garantiu, em comunicado. No entanto, ordenou às tropas russas que participaram nesta batalha para criar um “caldeirão” em redor de Severodonetsk e Lysychansk, para “descansar e aumentar as suas capacidades de combate”.
Se isso significa que o Kremlin acha que já sangrou as suas tropas o suficiente, querendo agora manter o território capturado e tentar congelar este conflito, só Putin é que sabe.

Mas a batalha de Lysychansk “provavelmente será um culminar para os russos”, previa o mês passado George Barros, analista do Institute for the Study o War, em entrevista à Radio Free Europe, apontando que “nesse momento, provavelmente Putin iria tentar alcançar cessar-fogo”. No entanto, naturalmente que as forças de Kiev não estão a contar com essa possibilidade, estando já a reforçar as suas fortificações entre o oblast – uma divisão administrativa equivalente aos nossos distritos – de Lugansk e o de Donetsk.  

Os mais extremistas nacionalistas russos concordam que a guerra não está a correr nada bem ao Kremlin. Os militares de Kiev dedicaram-se a escavar extensas linhas de trincheiras em Donetsk, acumulando aqui “reservas estratégicas, limitando sua entrada em combate, mesmo no auge da batalha por Severodonetsk-Lysychansk”, queixou-se Igor Girkin, antigo agente do Serviço Federal de Segurança (FSB,  em russo), no Telegram, esta terça-feira. Falamos de um ícone entre os nacionalistas russos, que ganhou fama liderando as incursões russas no Donbass em 2014, sob o pseudónimo “Strelkov”.  

Para piorar a situação do Kremlin, nas últimas semanas, as forças ucranianas começaram a ter “especial atenção à destruição de importantes instalações na retaguarda das forças armadas da Federação Russa, através artilharia de foguetes”, em particular “grandes depósitos de munições fracamente cobertos por defesas anti-aéreas”, criticou Girkin. Parece ser uma referência ao impacto das plataformas de mísseis americanas HIMARS enviadas pela NATO, que têm um alcance incrível de até 80km e começaram recentemente a chegar ao campo de batalha do Donbass.

Tudo isto ao mesmo tempo que a moral das tropas russas se vai degradando, alertou este antigo agente do FSB, notando que a sua rotatividade na linha da frente se foi tornando cada vez menor. O problema do Kremlin é que, se de facto as suas forças que combateram em Lysychansk precisam de descansar, permiti-lo pode ter custos. Nem que seja por dar tempo a mais armamento vindo da NATO chegar à Ucrânia. 

Seja como for, Donetsk vai sentindo o peso de estar na mira do Kremlin. Em particular Kramatorsk e Sloviansk, os grandes centros de abastecimento das forças ucranianas na frente de combate. Estas cidades “são agora o principal ponto de assalto”, alertou o governador do oblast de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, na terça-feira, à Reuters. Contudo, “não há nenhum lugar seguro sem bombardeamentos em Donetsk”, explicou. 

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