09/08/2022
 
 

Por que razão não há trabalhadores em Portugal?

Muito se gozou com o apelo de Graça Freitas para as pessoas não adoecerem durante o mês de agosto, mas eu gostava, por exemplo, que alguém das Finanças tivesse feito um aviso semelhante: “Se precisar de tratar de assuntos fiscais, tente fazê-lo antes do período de férias”. 

Durante a pandemia todos assistimos a grandes confusões à porta das Lojas de Cidadão. Quase ninguém conseguia renovar o passaporte ou outro documento. Para o conseguirem, muitas pessoas passaram noites em branco, para terem a senha que lhes permitia serem atendidos. Houve mesmo cenas de pancadaria, até que o Governo fechou as Lojas de Cidadão e o atendimento passou a ser por marcação prévia. Com o fim da pandemia e dos confinamentos, as pessoas voltaram à normalidade e pensava-se que os problemas estavam resolvidos. Até que surgem as notícias de restaurantes e hotéis que encerram por falta de mão-de-obra, de urgências hospitalares que fecham durante largos períodos, aviões que voltam a não levantar voo, mas por falta de tripulantes e pilotos, além de pessoal de terra, e a confusão está instalada. Mas afinal o que aconteceu para não haver pessoas em tantos serviços?

Além dos despedimentos, dos cortes de ordenado e das reformas antecipadas, ter-se-á passado algo mais que nos escapa. Ou será que, de um momento para o outro, os trabalhadores evaporaram-se? Muito se gozou com o apelo de Graça Freitas para as pessoas não adoecerem durante o mês de agosto, mas eu gostava, por exemplo, que alguém das Finanças tivesse feito um aviso semelhante: “Se precisar de tratar de assuntos fiscais, tente fazê-lo antes do período de férias”. O caos está praticamente instalado. Ainda esta semana me confrontei com um problema com as Finanças e quando me desloquei à referida repartição foi-me dito que o atendimento só se fazia com marcação prévia. A confusão no espaço estava generalizada. Depois, foram horas e horas à espera que alguém atendesse o telefone... e nada. Mas também vi outras repartições com marcação prévia para determinadas matérias, mas onde tudo corre quase na perfeição.

E como não custa nada dizer bem, tenho de fazer um elogio público aos trabalhadores da Loja do Munícipe de Vila Franca de Xira, onde desde a senhora que distribui as senhas de atendimento ao restante pessoal tudo corre lindamente. O mesmo já tinha visto na Conservatória do Registo Predial da mesma cidade. E a pergunta que faço é qual a razão de as coisas correrem bem nuns sítios e tão mal noutros? Será só falta de pessoal? E, para que fique claro, ninguém me conhecia de lado algum. Nem sabiam se era jornalista ou jardineiro. 

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