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Oiçam! … O vento mudou…!

Oiçam! … O vento mudou…!

Henrique Gomes 01/07/2022 09:25

Continuando em pleno reino da fantasia e do politicamente correto, os nossos líderes parecem pretender resolver a presente crise gradualmente.

Por Henrique Gomes, ex- Administrador da GDP e REN e ex-Secretário de Estado da Energia

A política energética da União Europeia e…

A UE enquadra a política energética na seguinte definição:

“Na UE, cada país da UE determina o seu próprio cabaz energético, respeitando as regras do mercado interno da energia da UE e tendo em conta as ambições climáticas da UE. O principal objetivo… é promover um fornecimento seguro de energia produzida da forma mais sustentável possível e a preços acessíveis.”

Uma política energética competente assegurará sempre, para o muito curto e o longo prazo, o equilíbrio óptimo entre a segurança de abastecimento, o ambiente e a competitividade.

A UE, líder da transição energética para o impacto neutro no clima até 2050 e seu maior financiador, reconhece a necessidade de ”assegurar uma transição eficaz em termos de custos, bem como socialmente equilibrada e equitativa”.

Na prática, concentrou-se no alarmismo climático com roadmaps irrealistas e que, na tentativa do seu cumprimento, induziram outras ineficiências e custos e, ao desvalorizar a segurança de abastecimento e a competitividade, arrastou a UE para a maior crise energética de sempre.

Oportuno e actual, mas ainda não acomodando o impacto da invasão da Ucrânia, a BP acaba de publicar o seu Energy Outlook 2022 que explora a transição energética marcada por três tendências – declínio gradual dos hidrocarbonetos, rápida expansão das energias renováveis e eletrificação crescente do mundo – em três cenários: Acelerado, Net Zero e New Momentum.

Exigente e realista, New Momentum captura a trajetória e velocidades de progresso actuais do sistema energético global, integra o recente aumento da ambição de países representantes de cerca 90% das emissões de carbono mundiais. Apresenta necessidades globais de investimento inferiores, é mais diversificado, faz o equilíbrio entre renováveis e hidrocarbonetos e aproveita as diversas cadeias de valor e recursos. Mais robusto, deveria ser submetido a uma optimização económica e avaliação de risco geoestratégico.

... A 5.ª coluna de putin!

Na recente Cúpula do G7 na Alemanha, os líderes mundiais afirmaram que “estamos preocupados com o ónus dos aumentos dos preços da energia e da instabilidade do mercado de energia…” e que “… exploraremos medidas adicionais para reduzir os aumentos de preços e evitar mais impactos nas nossas economias e sociedades…”.

No comunicado final limitam-se ao “compromisso de eliminar gradualmente a nossa dependência da energia russa, sem comprometer os nossos objetivos climáticos e ambientais.”

Em suma, continuando em pleno reino da fantasia e do politicamente correto, os nossos líderes parecem pretender resolver a presente crise gradualmente. De salientar que a energia que a UE importa da Rússia é de cerca de 33% no crude e derivados, 20% no carvão e 49% no gás natural (GN) e 16% no gás natural liquefeito (GNL). O gás representa 24% do consumo total de energia da EU.

Na hipótese de, a breve prazo, Putin bloquear as exportações para a UE, seria necessário diversificar muito rápida e eficientemente os fornecedores que venderiam a preços premium. Essa diversificação é impossível no GN (infraestrutura dedicada), sendo necessário encontrar alternativas de substituição. No GNL os EUA aumentaram em 50% as exportações o que representa uma substituição de 10% do GN russo perdido. Aumentos imediatos nas renováveis e eficiência energética não são possíveis. O petróleo com o upstream e a capacidade de refinação limitadas, assim como o carvão também limitado pelo fecho de muitas centrais térmicas nos últimos anos, exigirão contratos de longo prazo e novos investimentos. 

O racionamento espreita.

Putin tem na política energética da EU a sua 5.ª Coluna.

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