19/08/2022
 
 

Até sempre, António Ribeiro Ferreira

O António Ribeiro Ferreira era uma verdadeira lenda na redação, sendo respeitado por todos, mesmo aqueles que estavam nos antípodas políticos e filosóficos. Um verdadeiro ‘animal’ de fecho, os estagiários, e não só, ferviam quando ele dava o seu célebre grito de que as páginas tinham que estar fechadas

Conheci-o no Snob, onde à sua volta não faltava o fumo, bebida e uma boa discussão. Apesar de vivermos em mundos diferentes, ele muito mais ligado às tertúlias jornalísticas, sempre tivemos uma relação amistosa – e ele não era propriamente de fingir que gostava se não simpatizasse. Quis as voltas da vida que nos cruzássemos no i, corria o ano de 2015. Ele, que já tinha sido quase tudo no jornal, desde jornalista a diretor, aceitou-me cordialmente e sempre demonstrou lealdade e amizade. Como nunca tinha trabalhado num diário, convidei-o, mais tarde, para chefe de redação, algo que ele aceitou de imediato, tendo-me dito que contasse com ele para tudo o que precisasse.

O António Ribeiro Ferreira era uma verdadeira lenda na redação, sendo respeitado por todos, mesmo aqueles que estavam nos antípodas políticos e filosóficos. Um verdadeiro ‘animal’ de fecho, os estagiários, e não só, ferviam quando ele dava o seu célebre grito de que as páginas tinham que estar fechadas.

Passámos depois muitas noites no Snob na mesma mesa, onde contámos um ao outro os segredos mais íntimos. Sempre com um cigarro na mão, o António amava uma boa conversa e era um verdadeiro apaixonado pela liberdade. Se ele escrevia cobras e lagartos de Obama, gostava que o Nuno dissesse o melhor do primeiro Presidente negro dos EUA. Ou se ele zurzia em Fidel, achava graça que o Nuno, ou outros, dissessem o melhor do antigo ditador cubano.

Era um jornalista à antiga, das polémicas, do confronto, e amava, como já disse, os jornais. Ele respirava jornalismo por todos os poros. Ontem deixou de respirar e aqui fica a minha singela homenagem a um homem que adorava calçar os sapatos com muitos anos, as camisolas com marcas dos anos e que se sentia tão bem numa tasca – que adorava – como nos melhores restaurantes ou hotéis. Fiquei sempre com a ideia que era um homem desprendido das coisas materiais e que adorava viver. Até sempre e obrigado, António.

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