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Dinheiro. Da falência de Mayweather aos negócios de O’Neal, como lidam os atletas com as fortunas?

Dinheiro. Da falência de Mayweather aos negócios de O’Neal, como lidam os atletas com as fortunas?

José Miguel Pires 27/06/2022 20:35

Floyd Mayweather, em tempos um dos maiores pugilistas do mundo, poderá estar falido. No outro extremo, Shaquille O’Neal arrecada uma enorme fortuna. Como gerem os atletas o seu dinheiro após a saída dos palcos? 

É uma história antiga, que se repete uma e outra vez. Os atletas de topo a nível mundial, que atingem o estrelato entre os 20 e os 30 anos, fecham as suas carreiras muitas vezes com um ainda longo pedaço de vida pela frente, e nem sempre a gestão das fortunas que arrecadam acaba por ser eficaz ou inteligente.

Que o diga Floyd Mayweather, de 45 anos, invencível há 50 combates e seis vezes campeão mundial. “O Mayweather está na bancarrota. Digo isto há algum tempo. Provavelmente gastou tudo com as mulheres a quem paga para estarem junto dele”, contou Jake Paul, irmão de Logan Paul (youtuber e pugilista), em entrevista. O próprio tinha já, há dias, acusado Mayweather de lhe dever dinheiro relativo a um combate. “Hoje faz um ano que enfrentei o Floyd Mayweather.

É difícil atingi-lo, mas é ainda mais complicado cobrar-lhe dinheiro. Com quem deverá lutar se continuar assim?”.

É uma dura machadada para Floyd Mayweather, que se estima terá arrecadada 1.100 milhões de dólares (mais de mil milhões de euros) ao longo da carreira. “O facto de falar de dinheiro não me torna uma má pessoa. Gosto de ter as coisas boas da vida, o dinheiro não faz quem sou, eu é que faço o dinheiro”, disse, no ano passado, o pugilista, que em 2019 tinha já falado sobre a sua relação entre o dinheiro e o sexo. “Para mim nada é grátis, nem sequer pratico sexo grátis. Ou paga ela, ou pago eu”, gracejou.

Assim, Floyd Mayweather junta-se a uma longa lista de atletas que, depois da reforma, acabaram por cair na falência financeira, como foi o caso do britânico Paul Gascoigne, mais conhecido como Gazza. Em tempos um dos mais promissores (e impetuosos) jogadores da Premier League, Gascoigne, símbolo da seleção Inglesa, acabou na miséria depois da sua reforma em 2004. Teve ainda uma breve carreira como técnico, passando pelos portugueses do Algarve United Football Club, da cidade de Loulé, mas pouco durou essa experiência profissional. Uma vida repleta de excessos de álcool e drogas significaram o desastre financeiro para o antigo futebolista, hoje com 55 anos, que chegou a estar perto de acabar em situação de sem-abrigo.

Magnata Na outra ponta do espectro financeiro está, aos 50 anos (apenas mais cinco do que Mayweather), Shaquille O’Neal, nome inconfundível do basquetebol norte-americano, que abandonou os campos em 2011, e que tem, neste momento, uma fortuna avaliada em cerca de 380 milhões de euros. Como? Através do investimento feito na NBA, onde foi campeão nacional por quatro vezes, em diferentes negócios. Principalmente a franchise Five Guys, cadeia de restaurantes de comida rápida da qual O’Neal é dono de 155 estabelecimentos (10% do total), que comprou por apenas um milhão de dólares (cerca de 950 mil euros). A esses juntam-se 17 restaurantes da cadeia Auntie Annie’s Pretzels, 40 ginásios, bem como 150 serviços de lavagem automóvel e uma sala de cinema na sua cidade natal de Newark, no estado norte-americana de Nova Jérsia.

Mas a ‘joia da coroa’ é a cadeia de restaurantes que O’Neal fundou em 2018: a Big Chicken. Contam-se mais de 10 estabelecimentos nas cidades de Las Vegas, com projetos de expandir para outros locais como Phoenix, no Arizona, ou Austin, no Texas.

Assim, O’Neal é o contraponto do estudo publicado pela conceituada revista desportiva Sports Illustrated, que revela que 60% dos jogadores da NBA acabam na falência até cinco anos depois da sua reforma da principal liga de basquetebol do mundo.

“Ao fim de dois anos de reforma, 78% dos ex-jogadores da NFL (liga nacional norte-americana de futebol americano) faliram ou estão sob stress financeiro por causa do desemprego ou divórcio”, pode-se ler nos resultados do mesmo estudo de março de 2009, que se debruçava sobre as diferentes modalidades.

Business O jeito para os negócios parece, no entanto, andar de mãos dadas com os grandes nomes do basquetebol norte-americano. Se é certo que alguns caem no esquecimento e na falência após as suas reformas, outros nomes ficam para sempre marcados na história não só da modalidade, mas do país e do mundo. Principalmente pela forma como investem o dinheiro conquistado Ao longo das brilhantes carreiras desportivas.

Que o diga Magic Johnson, antigo líder dos Los Angeles Lakers, que se reformou em 1996, e que pouco demorou até entrar no mundo dos negócios. No ano seguinte, a Magic Johnson Entertainment, empresa detida pelo ex-basquetebolista dedicada ao setor do entretenimento, celebrou um importantíssimo contrato com a FOX. Mas o alto da carreira dos negócios de Magic Johnson prende-se com a empresa-mãe que gere, chamada Magic Johnson Enterprises, e que está avaliada em 600 milhões de dólares (cerca de 570 milhões de euros).

A empresa viveu os seus momentos áureos, no entanto, durante a segunda metade da década de noventa. Sob a sua alçada estavam os Magic Johnson Theatres em quatro cidades, 31 restaurantes Burger King no sudeste norte-americano e 13 ginásios abertos 24 horas por dia. Ao longo dos anos, a Magic Johnson Enterprises evoluiu, investindo em vários negócios de alto perfil, como os Los Angeles Lakers, cinemas e restaurantes nos Estados Unidos, incluindo as cadeias T.G.I. Friday’s, Sodexo e Burger King.

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