29/06/2022
 
 
Afonso de Melo 24/06/2022
Afonso de Melo

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Portugal em Águeda

Vivi, na seleção portuguesa, como assessor de imprensa (lugar com que nunca sonhei e ao qual fui parar pela simples conjugação dos astros), entre 2003 e 2006, com o grupo mais camarada, mais fraterno, mais companheiro com que trabalhei até hoje. 

Regresso a casa. Desta vez para apresentar o livro dos 100 Anos da Selecção Nacional - Cinco Escudos Azuis, algo que me orgulho de ser único e não apenas em Portugal. Águeda, terra do meu sangue, portanto, por mais Índias que tenham entrado pelos portões escancarados da minha vida, sempre pronta a aceitar novos desafios, novos lugares, nova gente. Olho para trás, agora que o tempo já me deu mais do que tem para me dar, e não me arrependo, nunca me arrependo.

Fiz de tudo um pouco. Sempre com paixão, sempre com vontade de aprender e de ensinar, cada coisa a seu tempo. Vivi, na seleção portuguesa, como assessor de imprensa (lugar com que nunca sonhei e ao qual fui parar pela simples conjugação dos astros), entre 2003 e 2006, com o grupo mais camarada, mais fraterno, mais companheiro com que trabalhei até hoje. Continuamos profundamente manos! Mérito de um homem providencial, uma espécie de meu irmão mais velho, chamado Luiz Felipe Scolari. A poucos dias de ter início o Europeu do nosso contentamento, que fez feliz o país triste, apesar da tragédia de 4 de julho, havia dois jogos particulares para disputar e nenhum podia ter lugar nos novos estádios, já controlados pela UEFA. Um deles seria, e foi, em Setúbal. O outro, contra o Luxemburgo, estava ali no fio entre a Póvoa de Varzim e a Maia. Então resolvi baralhar a cabeça do Carlos Godinho (diretor desportivo) e do presidente da altura, Gilberto Madail: “E por que não Águeda?” Acho que não me levaram a sério. Fiz um telefonema para o meu velho amigo e camarada Celestino Viegas, e perguntei-lhe com clareza se o campo do Redolho, ali ao Sardão, não longe do rio e das Lavadeiras, estaria pronto para a empreitada. Nem ele me levou a sério: “Seleção? Mas de juniores?”

Em meados de maio, eu e o Carlos Godinho e o Pedro Osório fomos fazer a vistoria do costume: Póvoa, Maia e... Águeda. No dia 29, pela primeira e última vez na sua existência, a equipa principal de Portugal entrou no Estádio Municipal e venceu por 3-0. O meu pai, o Manuel Alegre e o Paulo Sucena estavam na bancada. Por mim, o jogo foi para eles. Talvez também não acreditassem. Mas faz bem recusar o impossível.

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