07/07/2022
 
 
José Cabrita Saraiva 22/06/2022
José Cabrita Saraiva
Opinião

jose.c.saraiva@ionline.pt

LGBT: da inclinação à religião

 Assistimos em tempos recentes à emergência de uma espécie de tribo que reivindica o direito à existência e que afirma a sua identidade alto e bom som.

Houve tempos em que era vista como um desvio a punir ou, na melhor das hipóteses, como uma patologia a ser “corrigida” através de métodos bárbaros. Felizmente as coisas evoluem e, aos poucos, a homossexualidade passou a ser considerada uma tendência, inata ou adquirida, mas sem conotações positivas ou negativas, que dizia respeito ao foro íntimo de cada um. Entretanto também isso passou à história e a orientação sexual tornou-se uma questão da esfera pública. Assistimos em tempos recentes à emergência de uma espécie de tribo que reivindica o direito à existência e que afirma a sua identidade alto e bom som. Estranhamente, gosta de colar rótulos a si própria – ‘gay’, ‘lésbica’, ‘bi’, ‘trans’, ‘cisgénero’ – quando se pensava que era uma conquista não fazer distinções, e considerarmo-nos todos apenas pessoas, humanos ou simples terráqueos. Esta tribo, na era do LGBT, passou para outro patamar e começa a adquirir os contornos de uma religião organizada.

Uma religião com os seus dogmas e os seus apóstolos; os seus doutrinadores e acólitos; os seus rituais e lugares de culto; os seus códigos e símbolos; as suas procissões e dias festivos; as suas estruturas de poder e os seus sumos-sacerdotes; as suas fontes de receita; as suas escolas; os seus inquisidores e listas de livros proibidos;os seus mártires, os seus evangelhos e, muito provavelmente, até os seus santos.

Falei em símbolos: se virmos bem, um jovem de hoje com um saco do arco-íris a tiracolo não difere assim tanto de uma senhora de antigamente com o seu crucifixo ao peito.

Mas há outro aspeto em que o fenómeno LGBT se assemelha cada vez mais a uma religião: pretende fornecer uma explicação do mundo. Não me refiro a uma explicação parcial, de um aspeto da vida, mas uma explicação total, com uma narrativa de um povo injustamente desprezado e perseguido, que consegue libertar-se do jugo opressor e conquistar cada vez mais seguidores.

Um povo eleito, virtuoso, que já não tem de esconder-se nas catacumbas e aí está para anunciar o admirável mundo novo da identidade de género.

Acho muito bem que as pessoas não tenham de viver escondidas. Que cada um seja fiel à sua natureza e não tenha de reprimir o que sente. Que possa amar quem entender. Mas há um aspeto incómodo nisto: é que todas as religiões organizadas têm uma ambição de controlar as mentes e eliminar os seus inimigos. Infelizmente, já estamos a assistir a isso.

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