27/06/2022
 
 
Vítor Rainho 21/06/2022
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

A derrota da democracia e da liberdade

Qual será o caminho a percorrer pelos moderados que acreditam na democracia e na liberdade como valores máximos? Talvez tudo passe por uma maior distribuição da riqueza, mas não será seguramente a acabar com os ricos que se vai resolver os problemas. 

O mundo gira a uma velocidade impressionante e cada vez mais é muito difícil e perigoso fazer previsões seguras para um futuro próximo. Há vinte anos pouco acreditariam que os regimes totalitários seriam uma ameaça numa Europa próspera e cada vez mais ‘justa’, se olharmos para o que era o mundo no século XIX ou mesmo XX. Nunca os direitos dos trabalhadores foram tão protegidos, com todas as injustiças praticadas por alguns, nunca a Saúde foi tão de livre acesso aos mais desfavorecidos e nunca o ensino foi tão universal. Mas, como em tudo na vida, à medida que as pessoas começavam a ‘perceber’ os seus direitos, mais começaram a exigir, pouco se preocupando se essas exigências eram exequíveis ou não.

E é aqui que entram em força os partidos extremistas, de esquerda e de direita, que prometem tudo aquilo que as populações acham possível alcançar. O melhor exemplo é dado pela França, onde o povo deu ontem uma força extraordinária à extrema-esquerda e à extrema-direita. O que poderemos esperar daqui? Uns doidos a prometerem o paraíso na terra, com dinheiro a rodos para todos, e outros a prometerem segurança e prosperidade para os nacionais de cada país. A França, símbolo, da riqueza e da opulência, onde a classe média vivia e vive bem, entrega-se aos fanáticos da esquerda e da direita. Qual será o caminho a percorrer pelos moderados que acreditam na democracia e na liberdade como valores máximos? Talvez tudo passe por uma maior distribuição da riqueza, mas não será seguramente a acabar com os ricos que se vai resolver os problemas. Bem pelo contrário. Todos os modelos que assentam, teoricamente, na força do poder da rua acabaram numa miséria extrema.

Acredito mesmo que a liberdade começa a estar em causa, bastando olhar para os novos ditadores de costumes, que querem impor as suas fatwas sobre os infiéis.

P. S. Penso que a Europa civilizada está do lado de Zelensky, mas isso não significa que não se critique a sua decisão de proibir a música e toda a literatura russa enquanto decorrer a guerra. Só quem se demarcou de Putin é que pode ser ouvido ou lido na Ucrânia. Será que, por exemplo, Dostoiévski ou Tolstói terão de sair da campa para criticarem Putin para poderem ser lidos?

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