07/07/2022
 
 
Marta F. Reis 20/06/2022
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@ionline.pt

Um vício que alimenta milhões

Só em apostas online, a que é preciso somar raspadinhas, etc., os portugueses gastaram 28,6 milhões de euros por dia no primeiro trimestre, 2580 milhões de euros.

Os jogadores não param de aumentar, bem como aqueles que tentam quebrar o impulso “autoexcluindo-se” de sites de apostas. Até quando a publicidade que invade os canais, com caras conhecidas e jingles sonantes? Houve iniciativas partidárias no ano passado, mas com a dissolução da AR foram dos temas adiados, no rol das iniciativas caducadas. Lá fora a questão começa a ser colocada com outro vigor, com a Bélgica a querer restringir a publicidade e a visibilidade desta máquina. Lá, como cá, antecipa-se resistência.

É um terreno difícil:  mexe, no caso das apostas desportivas, com patrocínios de clubes. Mas trata-se, como disse o ministro belga da Justiça, de dinheiro feito à conta do vício de algumas pessoas. E da esperança de que lhes saia a sorte grande, o que numa altura em que as carteiras e as expectativas estão mais fragilizadas devia ser encarado com mais insistência, da mesma forma que todo o assédio para créditos e planos de seguros podia ser mais regulado. As pessoas são livres de jogar, mas os números mostram bem que o que alimenta esta indústria dificilmente resultará de uma escolha ponderada em todos os casos.

Só em apostas online, a que é preciso somar raspadinhas, etc., os portugueses gastaram 28,6 milhões de euros por dia no primeiro trimestre, 2580 milhões de euros. Quereriam gastar 2580 milhões em apostas em três meses? É um quarto do orçamento da saúde, por exemplo (já se sabe que fica aquém da despesa, mas a despesa do SNS em três meses foi de 3125 milhões de euros, pelo que o gasto em jogo online não andou muito longe do que serve para milhares de consultas e operações). Parte retorna em prémios, mas para alguns – e sai da carteira de outros, sabendo-se lá quando se perde até se ganhar. Parece medieval (na realidade é mais antigo). No final de março, mais de 118 mil pessoas que possivelmente sentiram que tinham um problema com o jogo tinham pedido recentemente para estar ‘barradas’, o que sendo um mecanismo positivo, mostra bem a dimensão do problema.

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