27/06/2022
 
 
José Paulo do Carmo 17/06/2022
José Paulo do Carmo

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Santos sem transporte

Acho inacreditável, num dos eventos cartão de visita da cidade de Lisboa, não existir o mínimo de organização nem de tentativa de assegurar os serviços indispensáveis para que os residentes e os turistas se possam deslocar até ao seu destino.

A semana passada escrevia nesta coluna todo o meu entusiasmo pelo regresso das festas em honra aos Santos Populares. Foi assim que no dia 10 encarei a minha ida a Alfama para um jantar organizado no clube “O Tejolense”. Foi por volta das 18h que chamámos um Uber que nos deixasse o mais próximo possível das Escolas Gerais.

Após dois carros que nos cancelaram a viagem, lá conseguimos um terceiro que nos deixou um pouco acima da Avenida Almirante Reis, uma vez que a polícia, por essa hora, já havia cortado todo o trânsito de acesso aos bairros históricos.

Escalámos naturalmente o resto do caminho a pé, o que nos demorou cerca de 15 a 20 minutos que mesmo sendo a subir se fez de forma agradável, absorvendo o início do ambiente, a alegria das pessoas na rua e o encontro com alguns conhecidos que fomos encontrando.

Ao jantar tudo maravilhoso. Os amigos foram chegando a conta gotas, as sardinhas, as minis e as saladas de pimentos foram assumindo o papel principal ao som de música popular portuguesa e a festa foi-se aos poucos transferindo das mesas para a rua, até porque a temperatura pedia um pouco de ar fresco. Por volta da 1h30m o grupo dividiu-se, uns seguiram para o arraial e outros (como eu) decidiram regressar a casa. Aí começaram os problemas e vieram-me à memória as razões pelas quais tento sempre evitar os dias de maior afluência. Decidimos descer até à Baixa para que pudéssemos encontrar uma forma de chegar até casa, já que uns iam para Campo de Ourique, outros para a Praça de Espanha e Restelo.

O metro que costuma ter horário prolongado por esta altura estava encerrado a partir da 01h devido à greve. A aplicação da Uber de tão requisitada que devia estar nem sequer nos dava qualquer carro disponível ou previsão de tempo para que o pudéssemos chamar. Foi assim durante uma hora que fomos tentando enquanto nos deslocávamos até à Avenida da Liberdade. Os números das centrais de táxis tão pouco atendiam o telefone para que os conseguíssemos chamar. O resultado foi o meu amigo ir a pé até à Praça de Espanha demorando quase duas horas a fazer o percurso e nós cerca de duas até apanharmos um táxi salvador que deixava uns clientes junto à Rua Barata Salgueiro, transversal à Avenida da Liberdade.

Acho inacreditável, num dos eventos cartão de visita da cidade de Lisboa, não existir o mínimo de organização nem de tentativa de assegurar os serviços indispensáveis para que os residentes e os turistas se possam deslocar até ao seu destino.

A festa estava muito boa é certo, as pessoas estavam sedentas deste regresso e sentia-se a magia dos arraiais em cada esquina. Mas a última imagem é a que fica e a que ficou foi a de um pesadelo para regressar a casa. Na cidade “da moda”, dos Web Summits da sustentabilidade e das tecnologias não entendo como isto não foi acautelado. Em vez do cheiro a manjerico cheirou a amadorismo.

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