29/06/2022
 
 
Vítor Rainho 16/06/2022
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Quando a crise ajuda ao aumento dos salários

Ainda há dias estava no restaurante de um amigo que estava contente porque tinha encontrado uma cozinheira a quem ia fazer um contrato de trabalho no dia seguinte. Voltei lá no fim de semana e perguntei pela cozinheira - que fritava muito bem peixe - e a resposta foi: “Nunca mais apareceu depois de assinar o contrato”.

A falta de mão-de-obra que afeta Portugal não se resolverá facilmente por várias razões, mas por duas em particular. Muitos dos estrangeiros que conseguem um contrato de trabalho rapidamente desaparecem de cena, pois tratam de regularizar a sua situação legal, aproveitando esse facto para irem para outras paragens, leia-se Alemanha, França e por aí fora.

Ainda há dias estava no restaurante de um amigo que estava contente porque tinha encontrado uma cozinheira a quem ia fazer um contrato de trabalho no dia seguinte. Voltei lá no fim de semana e perguntei pela cozinheira - que fritava muito bem peixe - e a resposta foi: “Nunca mais apareceu depois de assinar o contrato”. E nem se pode dizer que estivesse mal paga, atendendo ao salário médio português. Hoje em dia, é no setor da restauração que se paga melhor - um empregado de mesa ganha (e bem) com alguma facilidade 1200 euros limpos, além das gratificações. Como sabemos, infelizmente, nem todas as atividades pagam estes valores...

É óbvio que este é um dos problemas que Portugal enfrenta, pois muitos dos estrangeiros que nos procuram querem acima de tudo conseguir a legalização para circularem pela União Europeia, onde se paga melhor. É legítimo e percebe-se que as pessoas queiram ganhar mais, mas se houve um investimento na sua formação seria natural que retribuíssem com o seu trabalho durante algum tempo. Como esse amigo tem vários empregados muçulmanos perguntei-lhe qual o segredo para estarem há tanto tempo a trabalhar no seu espaço. “Já tive vários e muitos foram-se embora depois de se legalizarem, mas outros preferem trabalhar aqui, pois não me importo que rezem quando têm de rezar, que comam o mesmo que nós, os patrões - embora prefiram fazer as refeições com o que mais gostam e que não viola a sua religião”.

Com tanta falta de mão-de-obra e com tantos problemas é natural que muitos portugueses, que estão no fundo de desemprego, só aceitem trabalhar “por fora”. Isto é, receberem em dinheiro vivo e sem darem baixa do subsídio de desemprego. Como se irão ultrapassar estes problemas? Certo é que muitos hotéis e restaurantes vão ser obrigados a não funcionar a 100% por falta de trabalhadores. Isto já para não falar da construção civil, embora também aqui a crise tenha obrigado, e bem, mais uma vez, ao aumento dos salários.

P. S. Será impossível o Governo português conseguir autorização de Bruxelas para agilizar a livre circulação, nem que seja de três meses, entre os povos de língua oficial portuguesa?

Os comentários estão desactivados.


×

Pesquise no i

×
 


Ver capa em alta resolução

iOnline