29/06/2022
 
 
Violino usado no filme do Feiticeiro de Oz pode chegar aos 20 milhões de dólares em leilão

Violino usado no filme do Feiticeiro de Oz pode chegar aos 20 milhões de dólares em leilão

Reprodução Youtube Jornal i 06/06/2022 18:03


 

O instrumento apresentado no clássico musical de 1939 foi feito no “período de ouro” de Antonio Stradivari e pode vir a tornar-se no violino mais valioso vendido em leilão.

 

Segundo o The Guardian, um violino Stradivarius “de notável poder e beleza” usado para tocar ‘Over the Rainbow’ no espetáculo ‘O Feiticeiro de Oz’ poderá bater  um recorde quando for leiloado na próxima semana.

O violino de 308 anos, anteriormente propriedade de Toscha Seidel - um dos maiores violinistas do século XX -, foi criado durante o célebre “período de ouro” de Antonio Stradivari e deve ser vendido por mais de 20 milhões de dólares, o equivalente a 18 milhões de euros, quando for a leilão na casa de leilões especializada Tarisio no dia 9 de junho, tornando-se “o violino mais valioso já vendido em leilão”.

De acordo com o jornal britânico, o violino, chamado “da Vinci, ex-Seidel”, deverá atingir o enorme preço devido à sua “proveniência única”. Além de ser um dos melhores – e ainda tocáveis ​​– violinos de Stradivarius, foi usado por Seidel para gravar as partituras de vários filmes de Hollywood, incluindo ‘Intermezzo’, de 1939, ‘Melody for Three’, de 1941, e o clássico musical de 1939 ‘O Feiticeiro de Oz’.

Além de usar o violino para tocar solos e com orquestras em algumas das salas de concerto mais famosas do mundo, Seidel também ensinou outras pessoas a tocar com ele.

Um dos seus alunos foi Albert Einstein, que, “em troca das aulas, lhe deu um esboço descrevendo o fenómeno da contração do comprimento da sua teoria da relatividade”, escreve o The Guardian. A dupla chegou mesmo a realizar um concerto duplo de Bach num evento de arrecadação de fundos para beneficiar cientistas judeus alemães ameaçados pelos nazis. 

Quando Seidel comprou o violino por 25 mil dólares, o equivalente a 23 mil euros, em 1924, isso foi notícia de primeira página no The New York Times. Na altura, Seidel, um imigrante de Odesa, agora na Ucrânia, disse que “não trocaria o violino por um milhão de dólares”, pois este era “o seu bem mais precioso”. “O tom é de um poder e beleza excepcionais”, afirmava à época.

Por sua vez, o violinista e escritor Adam Baer disse que todos os músicos acabaram por ser influenciados por Seidel e pelo violino, “mesmo que nunca tenham ouvido falar dele”: “O facto de associarmos em grande parte cenas de amor ou representações dos menos afortunados em filmes – ou qualquer cena que evoque lágrimas ou emoções fortes – com o som do violino deve-se grande parte a Seidel”, explicou num artigo na revista American Scholar.

“E é exatamente isso que torna o Stradivari 'da Vinci, ex-Seidel' tão significativo”, acrescentou Jason Price, fundador da Tarisio, casa especializada na venda de violinos e arcos. “Quer saibamos ou não, já ouvimos essa voz antes e a sua memória lembra todas as emoções, as lágrimas e o romance da grande tela prateada”, argumentou

Além disso, Price, defendeu que o violino é muito especial porque “preenche todos os requisitos – é um instrumento perfeito, raro e é algo que foi tocado em coisas que conhecemos e amamos. 

No período que antecedeu o leilão, o violino fez uma turné mundial, com exibições privadas organizadas para potenciais compradores em Londres, Berlim, Pequim, Xangai, Hong Kong e Nova York.

“Infelizmente nenhum músico no mundo terá condições de comprar o violino, mas isso não significa que não irão tocá-lo!”, acrescentou Prince. “Há sindicatos, por exemplo, que se reúnem para comprar os violinos e emprestá-los a músicos”, explicou.

 

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