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Ciclovia da Almirante Reis. Moedas quer avançar sem estudos

Ciclovia da Almirante Reis. Moedas quer avançar sem estudos

Mafalda Gomes Maria Moreira Rato 31/05/2022 08:39

O BE, o Livre e a vereadora independente Paula Marques haviam apresentado uma proposta para que qualquer projeto de alteração fosse “fundamentado com um estudo técnico”.

Depois de a oposição ter deixado claro que esperava que Moedas apresentasse um estudo que justificasse as alterações na ciclovia da Avenida Almirante Reis, a proposta para a realização de uma consulta pública às alterações da mesma foi adiada na reunião de Câmara Municipal de Lisboa (CML) que teve lugar na manhã desta segunda-feira. Na semana passada, Moedas asseverou que tinha ouvido mais de 600 cidadãos, mas indicou que tal não implica que não exista a discussão da proposta para consulta pública. 

O Bloco de Esquerda (BE) havia apresentado, no início deste mês, juntamente com o Livre e a vereadora independente Paula Marques, eleita pelos Cidadãos por Lisboa, uma proposta para que qualquer projeto de alteração da ciclovia da Almirante Reis fosse “fundamentado com um estudo técnico que revele as soluções mais vantajosas para os transportes públicos, os utilizadores de bicicletas e modos ativos de mobilidade e o trânsito automóvel, garantindo a segurança e conforto para todas as pessoas que utilizam a via e a melhoria da qualidade do ar”, como é possível ler no esquerda.net.

A vereadora Beatriz Gomes Dias defendeu que qualquer alteração a implementar “não pode comprometer a expansão da rede ciclável e o estímulo ao uso seguro da bicicleta, ou pôr em causa a concretização das metas de redução da emissão de gases com efeito de estufa, o que é fundamental para responder às alterações climáticas”.

“Nova configuração na totalidade” A obra foi realizada quando Fernando Medina desempenhava funções enquanto presidente da CML e, na passada quinta-feira, o chefe de gabinete de Moedas escreveu no Twitter que o presidente está “a cumprir o que há muito anunciou”. António Valle elucidou que Carlos Moedas ouviu vários moradores, especialistas e organizações, reconhecendo, porém, que a polémica de quem está contra e a favor da medida mantém-se e ficou ainda mais intensa com o “desaparecimento” que ocorrera na noite anterior.

Como o i noticiou ontem, na passada sexta-feira, a autarquia divulgou o projeto completo que dará uma “nova configuração na totalidade” à ciclovia: esta passará para o sentido descendente em formato bidirecional, como já havia sido anunciado em março, sendo que o limite de velocidade deverá baixar para 30 km/h.

Sabe-se que também haverá mais estacionamento ao pé do mercado de Arroios - contudo, as ambulâncias e viaturas em marcha de urgência poderão pisar o caminho verde das bicicletas e trotinetes - e, agora, moradores e ciclistas alinham-se novamente frisando que os problemas de comunicação entre as partes interessadas persistem.

“Em Junho de 2020, em período pandémico, foi instalada na Avenida Almirante Reis uma pista ciclável pop-up, segregada. Com o retorno gradual do tráfego, aquela solução revelou-se inviável obrigando à implementação de uma alternativa em Junho de 2021”, lê-se na página da CML, adiantando que “é sua intenção (...) promover alterações neste eixo viário, no sentido de o qualificar a longo e a curto prazo melhorando os níveis de circulação e a qualidade geral da vivência na Avenida”. 

Como o i adiantou, segundo a CML, “estão ainda em desenvolvimento estudos de uma proposta de qualificação global, estruturante, promovendo um novo desenho, digno desta artéria tão importante na nossa cidade”. Contudo, neste momento, a autarquia investe nesta “proposta provisória” com o objetivo de “melhorar a fluidez do tráfego rodoviário e transporte público, bem como em todos os bairros adjacentes”. 

Recorde-se que, durante a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 2021, Moedas prometeu “acabar com a ciclovia da Almirante Reis”, dizendo que esse seria um dos primeiros objetivos a cumprir se conseguisse sagrar-se vencedor. 

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