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Monkeypox. Vírus "não é a covid-19" e não se transmite facilmente pelo ar

Monkeypox. Vírus "não é a covid-19" e não se transmite facilmente pelo ar

Dreamstime Maria Moreira Rato 24/05/2022 21:54

Em declarações aos jornalistas, especialista do CDC deixou claro que "a disseminação respiratória não é a preocupação predominante".

Ainda que, desde o primeiro dia, a transmissão da varíola-dos-macacos - conhecida por Monkeypox - seja associada a comportamentos sexuais de risco, pensa-se que entre humanos se propaga principalmente através de grandes secreções respiratórias, ou seja, quando se fala prolongadamente muito próximo da cara de outra pessoa ou se tosse ou espirra, já que os sintomas desta infeção incluem síndrome gripal.

Por este motivo, o Centro Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) dos EUA deixou claro, na segunda-feira, que esta doença não é como o novo coronavírus, enfatizando que o Monkeypox não se dissemina facilmente pelo ar porque requer contacto próximo com uma pessoa infetada. Tem de existir um “contacto físico sustentado, como pele a pele com alguém que tem uma erupção cutânea ativa”. Roupa de cama, roupas partilhadas e materiais semelhantes também podem contribuir para que o vírus se espalhe.

Ainda assim, o CDC reconhece que o vírus pode ser transmitido igualmente por gotículas respiratórias, embora não tão facilmente quanto a covid-19. Um doente com varíola-dos-macacos com lesões na garganta ou na boca pode espalhar o vírus através de gotículas respiratórias se estiver perto de outra pessoa por um longo período de tempo. Todavia, o vírus não se espalha facilmente desta forma, de acordo com a epidemiologista Jennifer McQuiston, do CDC.

“Isto não é a covid-19”, afirmou McQuiston aos jornalistas há dois dias. “A disseminação respiratória não é a preocupação predominante. É o contacto e o contacto íntimo no atual cenário do surto”, mencionou, exemplificando que nove pessoas com varíola viajaram em longos voos da Nigéria para outros países sem alegadamente infetar mais ninguém nos aviões.

“Não é uma situação em que, se passar por alguém no supermercado, essa pessoa corre o risco de ficar infetado com varíola”, sublinhou McQuiston, indo ao encontro da perspetiva de John Brooks, epidemiologista da divisão de prevenção da sida do CDC, que havia realçado que as lesões que surgem na pele constituem a fonte a partir da qual o vírus se propaga.

Quase 40 casos em Portugal A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ontem que já foram detetados 131 casos do vírus Monkeypox, em 19 países. Há ainda 106 casos considerados suspeitos. A organização considera que o surto, apesar de ser “incomum”, pode ser contido e revela que estão a ser convocadas reuniões para apoiar os países que têm de lidar com a doença.

Na segunda-feira, a OMS elucidou que não existem evidências de que o vírus sofreu mutações e que o sequenciamento do genoma dos casos já identificados ajuda a entender o atual surto. Rosamund Lewis, especialista em varíola do programa de emergências da OMS, disse que estes “são vírus que tendem a não mutar e são muito estáveis”, lembrando que estamos a lidar com uma doença nova.

Em território nacional, o número de casos de Monkeypox aumentou para 39, de acordo com uma atualização da Direção-Geral da Saúde (DGS), que revela ainda que a maioria das infeções foram notificadas em Lisboa e Vale do Tejo, ainda que haja registo de casos nas regiões Norte e Algarve.

“Todos os casos confirmados são de homens entre os 27 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, lê-se no comunicado, acrescentando que são esperados agora os resultados laboratoriais relativamente a outras amostras. Os 39 casos já identificados “mantêm-se em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis e em ambulatório”.

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