29/06/2022
 
 
José Paulo do Carmo 20/05/2022
José Paulo do Carmo

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O (tão esperado) regresso do Gigi

É a forma como se respira vida, são as pessoas que transmitem uma sensação familiar, a comida maravilhosa que nos faz querer comer sempre um pouco mais mesmo estando já completamente cheios e logicamente o Gigi, que com a energia que o caracteriza nos embala para um tipo de experiência pouco comum.

Há espaços que passam por nós uma vida inteira e não nos dizem nada, que frequentamos de passagem e se tornam utilitários sem grandes recordações. Outros há, porém, que ficam em nós, pela forma como os vivemos, pelas pessoas que conhecemos e que passam a fazer parte da nossa essência, pelos muitos momentos perfeitos que nos proporcionam que gostamos sempre de recordar e pelas saudades que deixam quando partimos, sempre com a promessa de regressar. O Gigi na Quinta do Lago representa para mim tudo isso. É a forma como se respira vida, são as pessoas que transmitem uma sensação familiar, a comida maravilhosa que nos faz querer comer sempre um pouco mais mesmo estando já completamente cheios e logicamente o Gigi, que com a energia que o caracteriza nos embala para um tipo de experiência pouco comum.

Conheci-o através de um amigo já lá vão uns anos, num pequeno bar em Alcântara. Tive a oportunidade de lhe dizer o quanto o admirava e ele disse-me que lia sempre as minhas crónicas e que gostava sobretudo do facto de eu escrever sobre coisas boas, a família, os amigos, os momentos e as vidas que a vida nos dá. Desde então tornámo-nos amigos, ele bebe da minha semi-juventude e irreverência, eu toda a sua experiência, a cultura e o conhecimento. Fui-me habituando a lidar com a sua frontalidade e ele com a minha reatividade. Os comentários às minhas crónicas, as vezes em que me dá na cabeça quando outros se limitam a dar palmadinhas nas costas, as horas passadas, colado a ouvi-lo falar sobre as viagens e o mundo, as lições de cultura geral que têm feito parte da minha construção pessoal. Às vezes amuo com ele e ele comigo, dizem que é próprio do mau feitio de ambos mas também há quem diga que a amizade é isso mesmo.

O restaurante regressa assim este fim de semana depois de um interregno, desde o verão passado, de cara lavada mas com o mesmo café de saco, os produtos portugueses que faz questão de privilegiar e o peixe e os mariscos com um sabor inigualável a mar. O arroz de alho que tenho sempre que comer mesmo que esteja sempre a dizer a mim próprio que vou cortar com o que me engorda, a salada de peixe de entrada e as canequinhas de cerveja bem geladas. Esta não é uma crónica de promoção ao espaço, que já é tão famoso que não precisa absolutamente nada dos meus elogios. É sobretudo uma crónica de apreço a uma forma de estar e de viver uma casa que é mais do que um restaurante de praia, que não se extingue nos pratos que serve mas que se estende ao ambiente criado pelos empregados, a família, os amigos e os clientes que se tornaram amigos. Os que são de cá mas mais ainda os que vêm de fora e que normalmente sabem dar mais valor ao que é especial.

Pela praia do Gigi voltará assim a ecoar Pavarotti, Dalida e tantos outros êxitos enquanto se abre uma garrafa de champanhe ao toque de um sabre. Voltaremos a beber um copo de vinho pela magia de alguém que sempre privilegiou as histórias que se escrevem e as que ficam por contar ao pretensiosismo de um guardanapo de pano. Que espaços como este não se esgotem em nós. Um brinde ao seu (tão esperado) regresso!

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