20/05/2022
 
 
Vítor Rainho 12/05/2022
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

IVG, o menos mal de uma avaliação esquizofrénica

Não sei se o critério faz sentido ou não - e sou a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez - mas parece-me, olhando para os outros fatores que estão em causa na avaliação, que há autênticas aberrações, mas que não mereceram a gritaria normal da rapaziada do costume.

Portugal deve ser o país onde é mais difícil instituir a avaliação profissional, pois não se consegue chegar a nenhuma conclusão sem um barulho ensurdecedor. Seja nos professores ou nos médicos. A mais recente polémica diz respeito aos profissionais de saúde e a questão das doentes terem feito um aborto nos últimos doze meses prejudicava a avaliação do médico. Calculo que quem pensou neste critério tenha equacionado que o profissional de saúde falhou no planeamento familiar. Não sei se o critério faz sentido ou não - e sou a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez - mas parece-me, olhando para os outros fatores que estão em causa na avaliação, que há autênticas aberrações, mas que não mereceram a gritaria normal da rapaziada do costume. Exemplos: um médico que não ‘passe’ analgésicos ou antibióticos é penalizado na sua avaliação. Também a candidíase, uma doença que não está na categoria das doenças sexualmente transmissíveis, aparecia no documento como tal. “Em que medida é que ter feito uma prescrição de analgésicos ou antibióticos avalia um bom planeamento familiar? Enquanto médica vou ser avaliada por uma mulher ter feito uma IVG ou ter tido uma candidíase?”, questionava ontem Maria João Tiago, médica de família e dirigente do Sindicato Independente dos Médicos. A trapalhada é tal que o responsável pela proposta já anunciou que a avaliação vai voltar à estaca zero.

Percebe-se que a gritaria teve resultados.

P. S. A invasão bárbara dos russos na Ucrânia tem merecido acesos debates na comunicação social e a rapaziada mais ligada ao passado soviético tenta por todas as formas justificar o injustificável. E bem se agarram aos supostos nazis que lutam pela Ucrânia, nomeadamente o batalhão de Azov. Ao que parece são bem menos do que se diz, e não serão tantos como os nazis do batalhão Wagner que está a lutar ao lado das tropas russas.

Numa guerra, ou mata-se ou morre-se. Se não houver rendição é natural que as batalhas só acabem com a derrota do opositor. E aí, diga-se, os russos têm razão em não deixar sair os militares que ainda estão entrincheirados no complexo industrial mais famoso do mundo.

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