20/05/2022
 
 
Vítor Rainho 10/05/2022
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Claques de futebol ou territórios sem lei?

A impunidade das claques de futebol é conhecida há muito e sempre que alguém tenta impor limites a estes grupos sem lei, acaba por recuar, não vá ferir muitas suscetibilidades. Basta ver a célebre história do cartão do adepto que procurava identificar os membros das claques de futebol...

Ao ler a notícia do CM sobre a morte de um adepto da claque do FC Porto lembrei-me de uma imagem de um filme de 1983, Scarface, onde alguns membros de gangues de cubanos expulsos por Fidel para os EUA assassinam à facada elementos rivais.

Em plena Alameda das Antas, durante os festejos do 30.º título nacional do FC Porto, Igor Silva terá sido espancado por mais de 20 pessoas e esfaqueado até à morte, havendo já suspeitos, embora, calculo, nenhum detido. A impunidade das claques de futebol é conhecida há muito e sempre que alguém tenta impor limites a estes grupos sem lei, acaba por recuar, não vá ferir muitas suscetibilidades. Basta ver a célebre história do cartão do adepto que procurava identificar os membros das claques de futebol...

Tudo se terá passado com centenas de pessoas nas proximidades, mas ninguém sentiu, e percebe-se bem porquê, vontade de ajudar o homem agredido - que também terá no seu currículo histórias de violência em barda. Segundo o relato do CM, o grupo de 20 adeptos correu entre a multidão enquanto gritava para abrirem alas, tendo depois agredido de uma forma bárbara e com o recurso a armas brancas Igor Silva. Quem viu o filme Scarface, com o desempenho excecional de Al Pacino e Michelle Pfeiffer, percebe que a descrição do CM sobre a morte de Igor é muito parecida com as lutas de gangues cubanos. Estaremos nós a caminhar para um território sem lei, no que às claques diz respeito? Não bastaram já as mortes entre adeptos do Benfica e do Sporting?

Na morte de Igor, diz-se, estavam lutas antigas e conflitos entre grupos rivais da noite portuense. Estará o Governo interessado em levar para  frente o anúncio da antiga ministra da Administração Interna de criar uma polícia especial para a noite? Ou tudo não passou de fogo de vista quando o país estava ainda debater a morte de um cidadão à porta de uma discoteca lisboeta? Cabe às autoridades policiais darem uma resposta rápida e prenderem os supostos assassinos, bárbaros sem lei que espelham a sua lei nos arredores e nos estádios portugueses.

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