20/05/2022
 
 
Marta F. Reis 09/05/2022
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@ionline.pt

O absurdo da guerra no século XXI

Não é possível dar sentido ao absurdo e tudo até aqui tem sido nubloso, contraditório e inútil, custando vidas entre os ucranianos e entre os russos, numa altura em que havia tanto para resolver no mundo e no final vai sobrar mais um capítulo de obituários e ruínas e uma humanidade menos esperançosa em si mesma. 

Foi das frases mais marcantes de António Guterres na visita a Kiev, dos poucos atos com consequências visíveis desde que começou a atroz invasão do país - civis, mulheres, crianças e idosos foram libertados do complexo industrial de Azovstal, de novo debaixo de fogo. O mundo está hoje em suspenso com o que irá dizer Putin na cerimónia do Dia da Vitória em Moscovo, com os comentadores a ensaiar o discurso e os seus simbolismos, se a ofensiva passa a guerra e que leituras isso terá, mas parece pouco realista que um qualquer discurso ou jogo de palavras esclareça quais são as reais intenções do Presidente russo e até onde irá para as atingir. 

Não é possível dar sentido ao absurdo e tudo até aqui tem sido nubloso, contraditório e inútil, custando vidas entre os ucranianos e entre os russos, numa altura em que havia tanto para resolver no mundo e no final vai sobrar mais um capítulo de obituários e ruínas e uma humanidade menos esperançosa em si mesma. 

Morreram mais de duas centenas de crianças na Ucrânia desde o início da guerra - porquê? Foi em legítima defesa da russofobia? Desnazificou-se o quê mesmo? No século XX, segundo algumas estimativas, as guerras mataram mais de 100 milhões de pessoas - ao longo da história da humanidade, mais de mil milhões. Devia ser passado, mas continua, na Ucrânia e noutros sítios, com gente a ser degolada pelo ódio e incapacidade de diálogo. Quando vemos mais uma escola a ser atingida, como foi ontem, mais uma ameaça velada de uso de armas nucleares depois de tanta tinta gasta em torno da desnuclearização, mais umas paradas militares a organizarem-se - a terem de alhear-se do sofrimento para mostrarem o poderio de um homem, num país que nem pode reclamar que está a agir em legítima defesa porque não foi atacado - o absurdo só se intensifica e o futuro parece muito pouco são e especialmente difícil para as gerações que vão ter reerguer a civilização dos escombros de mais um momento de recuo.   

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