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Futsal. À luz do báltico

Futsal. À luz do báltico

Afonso de Melo em Riga 05/05/2022 20:45

Começou ontem à tarde, em Riga, na Letónia, mais uma edição da Liga dos Campeões de Futsal. História de uma prova que já teve dois campeões portugueses.

RIGA - Eis um fim de semana dedicado ao futsal mais poderoso de clubes da Europa. Em Riga, capital da Letónia, à luz do Báltico, aquela luz que Selma Lagerlöf chamou a luz do interior das conchas. 

Desta vez, tanto Sporting (o atual campeão) como Benfica chegaram à final-four da prova, os dois rivais eternos de Lisboa e únicos que já venceram a competição, o Benfica em 2010, o Sporting em 2018-19 e 2020-21 Algo de novo, portanto, na história de uma competição já relativamente antiga.

De facto tudo começou verdadeiramente em 1984-85 quando em Viterbo, sensivelmente a 80 quilómetros a norte de Roma, se jogou a primeira edição do que se chamava, à época, o Campeonato da Europa dos Clubes Campeões. Só em 2000-01 é que a UEFA resolveu tomar conta dos acontecimentos e tratou de dar início à UEFA Futsal Cup que evoluiria ainda para UEFA Futsal Champions Cup, com a natural ironia de que a partir do momento em que ganhou a designação de Champions ter passado a aceitar no seu seio clubes não-campeões, como é o caso dos segundos classificados dos principais campeonatos do continente.

Ao deitarmos uma vista de olhos aos primeiros vencedores do tal Campeonato dos Clubes Campeões deparamos com nomes muito pouco prováveis: ZVC Hoboken (Bélgica), Drei Keuninge (Holanda), Naestved (Dinamarca), Ford Genk (Bélgica), MNK Uspinjaca (Jugoslávia), Roma (Itália) ou Interviú Lloyd’s (Espanha). Os grandes clubes como Barcelona, Sporting ou Benfica ainda não tinham dado um passo em frente na modalidade, tornando-a profissionalmente competitiva. Os clubes dos países da Europa central obtinham maiores rendimentos através dos patrocinadores e a única equipa portuguesa a surgir na lista dos melhores foi o Freixieiro que atingiu a final de 1990-91, sendo goleado pelos espanhóis do Interviú por 0-7, Interviú esse que, por causa da sponsorização, viria mais tarde a ganhar corpo no Inter Movistar Fútbol Sala, o clube de Torrejón de Ardiz, nos arredores de Madrid, maior potência da vindoura UEFA Futsal Champions Cup com cinco vitórias e três finais perdidas.

A mudança

Há que dizer com absoluta franqueza que, excetuando o Barcelona, Benfica, Sporting, Dínamo Moscovo e Kairat Almaty, todos os restantes clubes que foram surgindo nestas fases finais são clubes totalmente dedicados ao futsal e sem outras modalidades. Se em Espanha ainda se continua à espera que o Real Madrid resolva abrir uma para existir uma verdadeira rivalidade a animar o campeonato, em Portugal Benfica e Sporting invadiram o panorama competitivo sem necessitarem da contribuição do FC Porto.

Estamos, portanto, perante duas vertentes. A economicista, marcada pelos clubes/marca, ou seja, clubes que nasceram e vivem dependentes dos seus patrocinadores, mudando de nome consoante o patrão ou pondo um ponto final na sua vida desportiva quando a fonte de alimentação seca; e a desportiva que, não dispensando os sponsors (em Portugal estamos a falar de verbas entre os 300 a 400 mil euros-ano), cresce no centro de clubes com o peso e a história de Benfica, Sporting ou Barcelona, tirando obviamente proveitos de uma popularidade que, por exemplo, o ACCS Asnières Villeneuve 92, quarto nome a compor esta fase final como é óbvio não consegue. Falamos de um clube novo, nascido nos subúrbios de Paris, em Villeneuve-la-Garenne e Asnières-sur-Seine, de propósito para se lançar até ao todo do futsal francês e europeu. O presidente, Sami Sellami, que tem dinheiro como um nababo, tratou logo de ir buscar o melhor jogador do mundo na altura, Ricardinho, roubando-o ao Inter Movistar na fase em que este começava a abrandar o investimento. E ameaçou: «Podem chamar-me maluco, mas a verdade é que vou construir uma equipa para dominar por completo em França e ter a ambição de conquistar a Liga dos Campeões». Entretanto, a sorte caiu-lhe do céu aos trambolhões. Depois de a UEFA ter expulso os clubes russos das competições internacionais, o Tyumen, que se apurara vencendo o seu grupo da Ronda de Elite, ficou impedido de viajar até Riga. O segundo classificado do grupo ocupou o seu lugar. Chama-se Association Citoyenne, Culturelle et sportive. Deu um passo maior do que as pernas... 

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