25/06/2022
 
 
José Cabrita Saraiva 28/04/2022
José Cabrita Saraiva
Opinião

jose.c.saraiva@ionline.pt

O Metoo chegou à Faculdade de Direito

Felizmente, o comunismo acabou por ser derrotado um pouco por todo o mundo, mas esta visão de uma sociedade dividida entre opressores e oprimidos continua a fazer escola.

Por mais méritos que pudesse ter – e teve-os, pois de facto contribuiu para denunciar as condições degradantes em que viviam milhões de trabalhadores –, é duvidoso que o marxismo pudesse resultar nalguma outra coisa que não um sistema repressivo, uma vez que tinha na própria raiz uma visão da sociedade como luta de classes. Segundo Marx, Lenine, Trotsky e seus epígonos, para libertar o operariado era preciso esmagar sem piedade a burguesia, os privilegiados e os inimigos da revolução. Todos sabemos no que deu.

Felizmente, o comunismo acabou por ser derrotado um pouco por todo o mundo, mas esta visão de uma sociedade dividida entre opressores e oprimidos continua a fazer escola.

É ela que está por trás de muitos dos movimentos a que assistimos hoje, que bem vistas as coisas são uma espécie de atualização do maniqueísmo marxista. E que partilham, por arrasto, o seu sentimento revanchista.

É o caso do movimento Metoo, que, depois de fazer estragos nos EUA, parece ter chegado em força à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Para que não haja dúvidas, acho miserável que um professor (ou professora) se aproveite do ascendente que tem sobre uma aluna (ou aluno) para fazer avanços ou obter favores de índole sexual.

Situação bem diferente, mas que já vi “metida no mesmo saco”, é o professor, na sua sala de aula, considerar inadequada certa indumentária. Seja de uma aluna ou de um aluno. Recordo-me de um professor que certa vez mandou um aluno para casa trocar de roupa porque chegou à universidade em calções de banho. “O senhor não vem para a praia...” Esta posição, que me parece perfeitamente legítima, hoje poderia ser alvo de indignação geral. E então se o reparo fosse dirigido a uma aluna...

Mas podemos ainda ir mais longe. Sei que entramos em terreno perigoso, mas será uma relação entre um professor e um aluno maior de idade intrinsecamente condenável? Não pode um professor apaixonar-se por uma aluna ou aluno? Será automaticamente um perverso ou um criminoso?

Não é só nas universidades. Há também empresas que proíbem relações entre funcionários e por aí fora.

Nunca imaginei ver tanto puritanismo e tantas proibições num mundo alegadamente tão livre. Mas possivelmente sou suspeito, porque descendo de um professor que acabou por casar com uma ex-aluna, de quem teve três filhos.

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