09/12/2022
 
 
Villareal. Sob um céu azul e num mar verde desliza o Submarino Amarelo

Villareal. Sob um céu azul e num mar verde desliza o Submarino Amarelo

Afonso de Melo 27/04/2022 17:38

Só em 1998-99 é que o clube da pequena cidade de Villareal (Vila-Real em valenciano) conseguiu chegar à I Divisão de Espanha. Agora, rebelde entre os grandes, depois de ter vencido a Liga Europa, sonha com a vingança sobre o Liverpool.

Villareal em castelhano, simplesmente Vila-Real no dialeto da comunidade valenciana. A grande surpresa destas meias-finais da Liga dos Campeões e que vai hoje a Anfield defrontar o Liverpool depois de ter deixado pelo caminho o Bayern de Munique. Situada na La Plana Baixa, apenas a oito quilómetros da capital da capital da província, Castellon de La Plana, não tem muito mais de 50 mil habitantes. Terra de laranjas e da cerâmica, não se chamasse o seu campo Estádio da Cerâmica. Terra de um clube que desde a época passada, quando venceu a Liga Europa, voltou a despertar a atenção de todos os que gostam de futebol. Fundado a 10 de Março de 1923, é de longe o mais jovem dos semifinalistas da Champions. O único que não tem nada a perder. Um farmacêutico chamado José Calduch Almela, que concluíra os seus estudos universitários em Barcelona, nunca perdendo, sempre que possível, os jogos de Barcelona e Español, regressou a casa com a vontade indómita de criar um clube. Criou-o. Deu-lhe o nome de Club Deportivo Villareal.

Calduch era de uma família rica. Arrendou um terreno no bairro de El Madrigal para que o Villareal pudesse ter um campo decente para receber os vizinhos do Castellón e do Cervantes. Fazia-lhes frente. Não tardaria a superá-los.

O Villareal vestia de branco. Suficientemente neutro. Nos anos-30, mudou de cor: camisola azul e calção negro. Instalou-se na terceira divisão, por uma e outra vez, ainda antes da Guerra Civil, ameaçou chegar à segunda. A cidade foi transformada num quartel, o El Madrigal praticamente arrasado depois de servir de instalação militar. No ano de 1942, a Real Federação Espanhola exigiu que todos os clubes que quisessem competir nas provas nacionais tinham de ter um estádio em condições. O dinheiro dos Calduch já não abundava. O Madrigal continuou desfeito. O clube proibido de jogar onde sentia ter direito. Desapareceu.

 

A chama!

Mas havia uma chama na juventude que seguia o Villareal. Jovens que se lançaram no caminho da reconstrução. Primeiro através da criação de um clube completamente amador, o Clube Atlético Foghetecaz. Em 1944, o dono dos terrenos onde se situava o Madrigal, decidiu transformá-los numa zona habitacional. De repente, o Villareal renascia na alma dos descendentes dos que o tinham fundado. Reclamaram o espaço, conseguiram adquiri-lo, nasceu o Villareal de Educación y Descanso. Uma nova vida! Mas uma crise económica também, a do grande Inverno gelado de 1946 que arrasou toda a produção de laranjas da região.

O Foghetecaz fazia o que podia para voltar ao futebol federado. E conseguiu-o. Por falta de camisolas brancas, escolheram-se umas amarelas para as substituírem. Era o que havia de mais parecido. Mas, convenhamos, tinha um nome grotesco. E, ainda por cima, não ligava o clube ao local onde nascera. Foghetacaz e Educación y Descanso deram lugar ao Club Fútbol Villareal. O futuro estava aí, ao virar da esquina.

Oa anos-60 ficaram conhecidos como a década de Los Pascuales. Três presidentes com o mesmo apelido, Pascual Gil Mezquita, Pascual Rubio Clement e Pascual Font de Mora Chabrera levaram o Villareal a impor-se na III Divisão. Em 1970-71, ei-lo na II. Depois volta a descer e baixa até aos regionais.

Foi um empresário rico, dono de várias fábricas de azulejos, Fernando Roig Alfonso, que tomou conta do Villareal em 1997. Na época de 1998-99, o clube dá os seus primeiros passos no principal campeonato espanhol. Em 2003 surge na Europa, através da Taça Intertoto. Vence duas edições seguidas da prova. Sob o comando do argentino Manuel Luis Pellegrini, consegue um terceiro lugar em La Liga em 2004-005 e joga a Liga dos Campeões. Toda a gente já o conhece pela alcunha de Submarino Amarillo, o que viera das profundezas do mar da sua pequenez e atingira a meia-final da Champions de 2005-06, eliminado pelo Arsenal. Os seus adeptos cantam em coro a música dos Beatles: “In the town where I was born/Lived a man who sailed to sea/And he told us of his life/In the land of submarines/So we sailed on to the sun/‘Til we found a sea of green/And we lived beneath the waves/In our yellow submarine”. Com a chegada de Unay Emry, o sonho dos rebeldes de amarelo que desafiam os grandes, cumpriu-se. E se em 2016-17, foram eliminados na meia-final da Liga Europa pelo Liverpool (1-0 e 0-3), agora acredita-se como nunca na terra das laranjas.

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