24/06/2022
 
 
José Cabrita Saraiva 20/04/2022
José Cabrita Saraiva
Opinião

jose.c.saraiva@ionline.pt

As questões que não são dignas da atenção da FENPROF

O que não muda nunca, já se sabe, é o eterno secretário-geral da Federação Nacional de Professores (FENPROF), Mário Nogueira, que continua a repetir, com ligeiríssimas variações, as mesmas reivindicações e as mesmas palavras de ordem há anos e anos.

Tiago Brandão Rodrigues deixou o Governo e ainda não passou tempo suficiente para perceber se o seu sucessor vai ou não mudar alguma coisa nas políticas do ensino.

O que não muda nunca, já se sabe, é o eterno secretário-geral da Federação Nacional de Professores (FENPROF), Mário Nogueira, que continua a repetir, com ligeiríssimas variações, as mesmas reivindicações e as mesmas palavras de ordem há anos e anos.

Não deve ser fácil para nenhum ministro lidar com as ameaças e exigências do líder da FENPROF, e por isso até se desculpa a Brandão Rodrigues que as três principais marcas do seu consulado na Educação não sejam propriamente lisonjeiras: o braço-de-ferro com os professores por causa da contabilização do tempo de serviço no período em que as carreiras estiveram congeladas; as medidas para lidar com a pandemia nas escolas; e a existência de milhares de alunos sem professores (e porventura de professores sem alunos). Não é um legado brilhante, reconheça-se.

Mas lá está: só para atender às exigências da FENPROF seria necessário um ministro a tempo inteiro.

Ainda ontem Mário Nogueira entregou no Parlamento uma petição que soa no mínimo a déjà-vu: “Reclamamos justiça, efetivação de direitos e respeito por horário de trabalho”.

É caso para perguntar: não haveria outros problemas muito concretos a pedir respostas?

A indisciplina, a insegurança nos recreios, os telemóveis nas salas de aulas, as faltas de respeito e até agressões a professores, os programas irrealistas, as médias miseráveis a algumas das disciplinas estruturantes não são questões dignas de um pouco da atenção? A qualidade do ensino não é um assunto que diga respeito ao organismo que zela pelos direitos dos professores? Mas não me lembro de ouvir Mário Nogueira falar sobre isso.

E devia, pois, tanto quanto julgo saber, há milhares de professores em Portugal de baixa psiquiátrica e milhares de alunos com uma formação deficiente. E não consta que seja por causa das progressões na carreira ou da ordem de grandeza dos aumentos salariais.

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