16/08/2022
 
 

O PCP pregou mais um prego no seu caixão

Seja como for, os deputados comunistas não deviam ter medo de ouvir Zelensky – mas claro, já se sabe que a sua ideologia nunca primou pela tolerância e o pluralismo. 

Não satisfeito ainda com as sucessivas derrotas eleitorais que o deixaram de rastos, o PCP continua empenhado em dar tiros nos pés. Ontem pregou mais um prego no seu caixão ao ser o único grupo parlamentar a votar contra uma intervenção do Presidente ucraniano por videochamada.

Até podemos compreender que os comunistas mais empedernidos ainda se lembrem da União Soviética e considerem que a Rússia, como herdeira desse império, tem de ser sempre apoiada. Mas como justificar esta recusa, por exemplo, às gerações mais jovens? Como não percebem os comunistas que, ao assumir estas posições, estão a colocar-se do lado do mau da fita?

Não devia haver margem para dúvidas. Todos os dias as evidências dos crimes cometidos pelos russos nos entram por casa adentro através da televisão e pelos jornais. E consta que os serviços de inteligência alemães intercetaram escutas que comprovam que o massacre de Bucha resultou de ordens superiores. A confirmar-se, esta barbaridade institucionalizada é gravíssima.

Mas não podemos ser ingénuos ou maniqueístas ao ponto de acreditar que os russos são uns diabos e os ucranianos uns anjinhos a quem só faltam as asas. Aliás, começam também a circular vídeos de soldados ucranianos a executar prisioneiros de guerra. E a polémica intervenção de Zelensky no Parlamento grego, em que mostrou um vídeo de um combatente do infame batalhão Azov, não é propriamente de molde a contribuir para uma reputação impecável.
Seja como for, os deputados comunistas não deviam ter medo de ouvir Zelensky – mas claro, já se sabe que a sua ideologia nunca primou pela tolerância e o pluralismo. 

O mais curioso, talvez, foi a desculpa esfarrapada que apresentaram: a sessão solene com o Presidente ucraniano promove “a escalada da guerra, a confrontação, conflito e corrida ao armamento”. Não é Putin que promove a escalada da guerra, não é o exército russo que lança mísseis hipersónicos e rebenta com cidades inteiras. É o poderoso e influente Parlamento português...

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