26/11/2022
 
 
Guerra desacelera crescimento mundial com maior impacto na zona euro

Guerra desacelera crescimento mundial com maior impacto na zona euro

Jornal i 28/03/2022 12:45

Estudo da Euler Hermes alerta que a fatura energética das famílias pode disparar 30 mil milhões.

“A escalada do conflito na Europa coloca desafios à recuperação da economia mundial e desencadeia o crescimento de riscos geopolíticos”. A garantia é dada pela Euler Hermes, acionista da COSEC - Companhia de Seguro de Créditos que estima que a economia global avance 3,3% neste ano, uma revisão em baixa (menos 0,8 pontos percentuais que inicialmente se antecipava no início do ano) “que reflete os novos desafios geopolíticos que o mundo enfrenta”.

Para o próximo ano, a Euler Hermes antecipa que o produto interno bruto (PIB) mundial deverá avançar 2,8% (menos 0,4 pontos percentuais).

Segundo as contas da empresa, a zona euro será a mais afetada pela guerra depois da economia ucraniana e da russa. O estudo estima que o PIB da zona euro cresça 2,6% neste ano, menos 1,2 pontos percentuais que inicialmente se antecipava no início do ano.

Os dados mostram ainda que o crescimento económico do bloco da moeda única vai ser afetado especialmente pela forte quebra no comércio entre a zona euro e a Rússia. “As exportações totais das maiores economias do euro para a Rússia representam menos de 2%, pelo que o impacto global será relativamente moderado. Contudo, alguns setores que dependem muito de bens oriundos da Rússia ou da Ucrânia – como componentes para a indústria automóvel – deverão enfrentar problemas nas cadeias de abastecimento”, diz a Euler Hermes.

De um modo global em 2023 a economia do euro deverá avançar 1,6% (menos 0,7 pontos percentuais).

Quanto à inflação, as previsões foram revistas em alta. As estimativas apontam agora para uma inflação de 5,5% em 2022 na zona euro e de 2,5% no próximo ano, “refletindo a subida dos preços dos bens alimentares e da energia”.

Já as economias menos penalizadas, diz o estudo, serão a dos EUA e da China. “O impacto do conflito na economia norte-americana deverá fazer-se sentir por via da confiança dos consumidores, que poderá ser abalada, e pelo impacto que a subida dos preços do petróleo vai ter para a economia”. E mesmo a chinesa “deverá crescer menos que o esperado anteriormente”.

Recessão na Rússia

As implicações do conflito na Ucrânia vão pesar na economia russa, que deverá enfrentar uma recessão de 8% neste ano. “A contração da economia russa é explicada nomeadamente pela grave deterioração das condições macroeconómicas, em especial depois da imposição de sanções que abrangem inclusivamente o setor energético. A desvalorização do rublo continua e a inflação está em alta”.

E os alertas não ficam por aqui: A fatura energética das famílias pode disparar 30 mil milhões.

“A escalada do conflito entre a Rússia e a Ucrânia tem também impacto na disponibilidade e no preço das matérias-primas. Os dois países são produtores de várias commodities – como petróleo, gás, trigo, milho e sementes de girassol –, representando mais de 10% das exportações destes bens à escala global, e a guerra tem provocado volatilidade e subida dos preços”, começa por dizer a Euler Hermes.

E estima que os preços do petróleo devem continuar acima dos 100 dólares por barril enquanto o conflito se mantiver e que, possivelmente, em média, neste ano, a cotação rondará os 120 dólares por barril. Os preços do gás devem também continuar elevados, próximos dos 140 euros/MWh.

Assim, “a acionista da COSEC estima que as famílias na UE vão ter pela frente faturas energéticas mais elevadas (entre 20 a 30 mil milhões de euros a mais nas maiores economias europeias), tendo em conta os preços atuais do petróleo e do gás, que podem aumentar 50 mil milhões de euros, ou 2% do PIB, caso a Rússia interrompa as exportações de petróleo e gás (tanto fruto de embargos como de medidas de retaliação)”.

E alerta também que a diminuição da confiança das empresas vai pesar no investimento. “As margens das empresas vão continuar a ser reduzidas num contexto de preços de energia elevados e de alta das matérias-primas não energéticas, subida dos custos salariais e dos custos de transporte”, finaliza.

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