05/10/2022
 
 

Frei BE. "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço"

Agora, o BE vai ter de “concentrar” várias distritais e apelar ao trabalho voluntariado, pois o dinheiro não existe para pagar aos seus funcionários, alguns dos quais terão ficado a saber do despedimento através do último recibo de ordenado.

Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz. A máxima pode ser aplicada a muitas situações na vida política, mas aplica-se que nem uma luva ao momento que o Bloco de Esquerda vive. Sendo um dos principais paladinos dos trabalhadores e contra o trabalho precário, logo contra os despedimentos, o partido de Catarina Martins “vê-se” obrigado a despedir dezenas de funcionários/militantes por ter perdido boa parte da subvenção pública a que tinha direito, conforme o número de votos obtidos nas eleições legislativas.

Acontece que o desastre eleitoral de 30 de janeiro fez com que o BE passasse de 19 para cinco deputados, logo as verbas “conquistadas” pelos votos dos portugueses diminuiu radicalmente. À semelhança, aliás, do que aconteceu ao CDS em 2019 – já para não falar das últimas legislativas.

Agora, o BE vai ter de “concentrar” várias distritais e apelar ao trabalho voluntariado, pois o dinheiro não existe para pagar aos seus funcionários, alguns dos quais terão ficado a saber do despedimento através do último recibo de ordenado. Será também interessante saber como irão os bloquistas calcular o direito da indemnização aos funcionários despedidos: seguirão as regras da troika ou guiar-se-ão pela sua proposta para o Orçamento do Estado?

Esta história é bastante ilustrativa da vida política portuguesa, já que muitas das reivindicações dos partidos, por vezes, não têm qualquer proximidade à realidade. Se assim fosse, o BE não teria de despedir os seus funcionários... Também não deixa de ser estranho que o partido não tenha reagido à denúncia feita por Vítor Fernando Machado, antigo funcionário que começou a trabalhar no partido, no tempo de Francisco Louçã, quando este levou a cabo, pelo país, a Marcha contra a Precariedade, tendo na sua comitiva um funcionário a recibos verdes.

E foi Vítor Machado que explicou como todos os partidos se servem dos lugares municipais e da Assembleia da República para “empregarem” funcionários ao sabor do dinheiro disponível. O problema é quando a torneira, leia-se votos, se fecha. Aí, é despedir. Sejam funcionários do BE, do CDS ou de outro partido qualquer.

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