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Atentado evitado. Alunos da FCUL vão ter época extra de exames

Atentado evitado. Alunos da FCUL vão ter época extra de exames

Bruno Gonçalves Maria Moreira Rato 14/02/2022 08:36

A faculdade garante que avaliações “decorreram num ambiente normal”. Jovem indiciado por terrorismo foi transferido para Caxias. 

Depois de muitos alunos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) terem acusado a escola de não prestar atenção à saúde mental da comunidade estudantil, foram mantidos os 47 exames agendados para a passada sexta-feira mas os responsáveis garantem que todos os estudantes terão acesso a uma época extraordinária no contexto do impacto provocado pelo atentado evitado.

A direção da faculdade deixou claro que, até agora, não há “indícios de se ter verificado a existência de um absentismo superior ao normal nas provas de avaliação realizadas nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2022”. 

Importa mencionar que quando a Associação de Estudantes da FCUL adiantou que a decisão de manter as provas tinha como objetivo “minimizar o impacto que este acontecimento possa ter na vida das pessoas”, os estudantes acusaram-na de tomar partido nesta situação. “Em vez de representarem os alunos continuam a música ao som da direção. É preciso coragem para não se fazer absolutamente nada” ou “questiono-me sobre quem a associação de estudantes representa” são apenas alguns dos comentários que foram deixados no Instagram por estudantes.

Suposta acusação de plágio terá motivado ataque Na rede social Discord, João, que usava o username PsychotycNerd#6116, interagia com outros utilizadores que se interessassem por tópicos como tiroteios em escolas. Em conversa com Sammy, um rapaz norte-americano, terá revelado que uma alegada acusação “mentirosa” de plágio num trabalho académico quase o levara a ser suspenso da universidade. Deste modo, “vingar-se de todos” e matar “o maior número de colegas possível” parecia ser a única saída que o estudante de 18 anos encarava como viável.

Recorde-se que, na sexta-feira ao final do dia, João foi transferido do Estabelecimento Prisional de Lisboa para o Hospital Prisional São João de Deus, em Caxias. Horas antes, havia sido presente a uma juíza no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), tendo optado por não prestar declarações durante o interrogatório. A prisão preventiva foi decretada devido a “fortes indícios de existir a continuação da atividade criminosa e da perturbação da tranquilidade pública”.
A Polícia Judiciária terá confirmado que o jovem sofre de síndrome de Asperger, mas concluído que a doença não o impede de discernir entre o bem e o mal. “Temos de ter muito cuidado sobre os aspetos que estamos a sublinhar”, disse Mauro Paulino, psicólogo clínico e forense em declarações ao Nascer do SOL. “Porque nem todas as pessoas que estão isoladas, ou que têm síndrome de Asperger, como já foi dito que ele tinha, estão a planear matar. Há aqui outras condições que têm de ser devidamente ponderadas”.

João terá escondido quatro facas, uma besta, 25 flechas, isqueiros, maçaricos, duas latas de gás em spray, duas latas de gás butano e quatro latas de combustível na marquise do quarto onde residia, nos Olivais.  

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