24/05/2022
 
 
Pluto. "É como o nome que dás a um filho, o bonito ou feio, é o nome do teu filho"

Pluto. "É como o nome que dás a um filho, o bonito ou feio, é o nome do teu filho"

Hugo Geada 27/01/2022 12:25

O primeiro projeto no contexto pós-Ornatos Violeta, Pluto, banda de Manel Cruz e Peixe, apesar de ter sido algo incompreendido quando foi formado, celebra agora o regresso aos palcos, esta sexta-feira, na Festa do Salgado... Fest. O vocalista partilha a história da formação do grupo e a sua evolução ao longo do tempo.

 

“Tipo a azeitona entre vinhos?”, pergunta Manel Cruz ao i, quando o questionamos se os Pluto, banda que formou em 2002, no mesmo ano em que os Ornatos Violeta terminaram oficialmente, serviu como um “tira-gosto” do grupo que criou os discos essenciais da música portuguesa, Cão e o Monstro Precisa de Amigos. “Acho que sim. É inevitável”, explica.

“Ouvi muito isso na altura, assim como a comparação entre as duas bandas”, recorda. Quando alguém tem uma imagem pública e faz um novo projeto é normal as pessoas compararem com o que fizeram no passado. Por isso é que agora, passados quase 20 anos, começo a ouvir uma opinião diferente sobre este grupo”.

Os Pluto, banda formada por Manel, Peixe, guitarrista dos Ornatos, Eduardo Silva, baixista que fazia parte do grupo de jazz DEP, onde também participava Peixe, e Ruca, baterista que mais tarde chegou a fazer parte dos Supernada com o vocalista, que este sábado, dia 29 de janeiro, assinalam o seu regresso aos palcos na festa O Salgado Faz Anos, no Maus Hábitos, no Porto, são um dos vários projetos que originados após o fim dos Ornatos.

Entre Foge Foge Bandido, o projeto a solo de Manel Cruz, Miramar, grupo constituído por Peixe e Frankie Chavez, ou os já acima citados DEP e Supernada, Pluto é um completo ovni.

Nascido pouco depois do autêntico fenómeno popular e cultural que foram os Ornatos Violeta, que ajudaram a elevar a música alternativa cantada em português de Portugal, existiram os Pluto, um grupo onde Manel e Peixe procuraram regressar “às origens”, criando música mais crua e agressiva acompanhada por letras mais diretas.

Apesar das inevitáveis semelhanças entre os projetos, não fossem dois dos seus “cabecilhas” responsáveis por estas novas composições, existia uma diferença clara de estilos que deixou muitos fãs a coçar a cabeça e a questionar: “afinal onde acaba Ornatos e onde é que começa Pluto?”.

“É um processo lento, as pessoas precisam de tempo para assimilar o que este projeto realmente é, mas também precisam de perceber o que é que o projeto foi. É o mesmo caso quando comparavam o Tiago Bettencourt quando ele apareceu ao Jorge Palma, hoje ouvimos os dois e percebemos que cada um existe num universo diferente”, exemplifica.

Atualmente, o homem responsável por dar voz a temas tão distintos como Chaga ou O Navio Dela, considera que já existem mais pessoas que “conseguem olhar para trás e perceber o que é que Pluto foi e o que é que é, independente do resto”, uma vez que continua a achar que não faz sentido, comparações entre projetos.

“Não faz sentido nenhum comparar os projetos. Para nós, era um tira-gosto no sentido que quando começamos um projeto novo queremos que ele tenha uma identidade. Nesse sentido, tudo aquilo que poder ser diferente é melhor”, diz-nos. “O mais importante é fazermos músicas que gostemos, mas é evidente que tu, como artista, tentas ao máximo possível reinventar-se e sentir uma certa frescura. Claro que procuramos sempre esse sabor novo”.

 

As raízes de Pluto

Existe paralelos entre Cruz e músicos como Thom Yorke, que pretendem manter o seu som “art house” enquanto são aceites em circuitos mais amplos, ou como Kurt Cobain, que, apesar de quererem reclamar o seu “pedigree” punk, possuem uma grande sensibilidade a melodias “pop”, com uma costela “Beatle” para criar canções de sucesso.

Depois do sucesso estrondoso de O Monstro Precisa de Amigos os membros de Ornatos foram colocados numa posição desconfortável, com toda a atenção que estava a ser atraído para a sua música e o seu trabalho.

“Ornatos foi vítima do seu próprio sucesso nesse sentido, ninguém estava à espera de que o Monstro tivesse o sucesso que teve”, explica a jornalista Ana Leorne, colaboradora de publicações como Guardian, Bandcamp ou BeatsPerMinute.

“Acho que ficaram contentes por poderem tocar em sítios maiores e abrir a porta para poderem trabalhar com músicos que admiravam, como é o caso do Gordon Gano dos Violent Femmes”, diz, mas recorda “o lado mais ‘indie’" de Manel Cruz. “Com os Pluto, ele não estava a pensar fazer um projeto gigante que fosse superar os Ornatos. Ele nunca quis fazer isso, por isso, diria que Pluto é uma espécie de regresso às origens”.

E é precisamente esta história de origem que surge da boca de Manel Cruz. “Os Ornatos tinham acabaram e estávamos virados para outros projetos. O Peixe e o Edu estavam nos DEP, uma banda de jazz, e o Ruca estava envolvido com os Insert Coin. Eu falava muito com ele e, como na altura nem estava envolvido em nenhum projeto, o Ruca começou a desencaminhar-me, primeiro até para juntar-me aos Supernada, e para voltar a tocar”, acrescentando que era uma fase em que se encontrava com “com pouca vontade de regressar ao ativo”. “Estava só deixar-me levar pela corrente”.

No entanto, “puto como era”, o Ruca, nas palavras de Manel, este conseguiu voltar a “meter-lhe o bichinho” da música. Depois de conversas com o Peixe, que elogiava imenso o talento de Edu, os quatro músicos começaram a reunir-se e a experimentar na casa do baixista, percebendo que este era “um projeto com muito potencial.

“Agarrados pelas músicas que estávamos a fazer, criámos um vínculo muito forte, uma rotina mais presente e foi assim que surgiram os Pluto”, cujo nome não foi inspirado no planeta, mas sim no cão do Peixe.

“No nosso imaginário era algo que fazia sentido, jogava com a ideia do planeta e de viagem cósmica e psicadélica”, explica. “Agora, quando penso em Pluto, não penso no cão do Peixe ou no planeta, penso só na nossa banda. É como um nome que dás ao teu filho, mesmo achando-o bonito ou feio, passa a ser o nome do teu filho”.

 

Uma bonita fotografia

Das sessões de gravação de Bom Dia, até ao momento, o único disco dos Pluto, lançado em 2004, Manel afirma que tem apenas boas memórias de sessões que ocorreram sem grandes quezílias.

“Lembro-me do estúdio Boom, do Mário Barreiros [membro de grupos como Jafumega ou Mini Pop], onde gravámos o disco”, recorda. “Foram sessões tranquilas, já tínhamos as ideias bem decididas e pensadas, mas claro que existiram algumas ideias que surgiram no momento, conta-nos, recordando a criação da balada Algo Teu, que encerra o disco.

“Foi uma linha piano que o Ruca fez enquanto eu estava na sala grande e de experimentar a melodia. Essa música surgiu nas gravações do disco”, diz ao i.

“Houve umas quantas músicas que gravámos, mas acabaram por não entrar no álbum, mas, de um modo geral, foram gravações muito simples. Ensaiávamos exaustivamente e já levámos os nossos arranjos praticamente finalizados”, explica. “Foi mais uma questão de captação de som e de gravarmos os instrumentais ao mesmo tempo. Apesar de às vezes ser necessário refazer faixas de guitarras, regra geral, ao primeiro take estava a música gravada. Foram muitos bons tempos, uma altura de muita magia”, lembra.

Para além da magia destas sessões, existia também uma certa vontade de criar uma disrupção e, mesmo não sendo propositado, criar algo diferente do que já tínhamos ouvido em Ornatos Violeta”.

“Embora não houvesse uma perspetiva, tudo aconteceu num curto período de tempo, existia essa vontade de romper e de não trabalhar da mesma maneira, até porque era impossível, os Ornatos funcionavam como uma banda e passámos a trabalhar com músicos diferentes”, diz, reforçando o papel de Ruca e Edu neste projeto. “O Ruca e o Edu, que não faziam parte dos Ornatos, acrescentavam uma nova abordagem e um novo som que nos contagiava a fazer outra coisa e facilitava esse trabalho de fuga. Pluto é uma banda e é o resultado de todas as nossas influências.

Todos estes fatores levaram a que os Pluto existissem no seu “universo próprio”, com o bom ambiente e química do grupo a gerarem canções orelhudas, mas ao mesmo tempo interessantes e curiosas pelas suas composições, como a orelhuda Só Mais Um Começo ou O 2 Vem Sempre Depois.

“Lembro-me de levar músicas para os ensaios que eram feitas de uma maneira completamente diferente daquilo que fazia nos Ornatos, isso era natural porque deixei de fazer as músicas como fazia na altura, não me queria repetir, queria experimentar algo novo”.

Mesmo reconhecendo que “há coisas que são inevitavelmente parecidas com os Ornatos em certos aspetos, uma vez que existem pessoas que são comuns”, Manel afirma que havia a “vontade de romper”.

“Falávamos disso, especialmente eu e o Peixe, de tentarmos confirmar o caminho para onde estávamos a ir e certificar que estávamos a fugir a coisas que nos faziam lembrar trabalhos, vícios e fórmulas que já tínhamos feito”, diz.

“Pessoalmente, quando fazia o esboço de uma música tinha a perfeita noção daquilo que estava a fugir. Quando estás a construir uma casa, todas as pequenas escolhas, se vais optar por azulejo ou madeira, devem servir para o teu objetivo final, se não queres uma casa de campo ou uma casa minimal vais ter de evitar certos tipos de materiais ou de soluções”, exemplifica. “Quando estás a fazer uma certa melodia, mesmo estando a soar bem, tens que ter o pulso para dizer ‘não é por aqui que eu quero ir’”.

Mas então por onde é que os Pluto queriam ir? O que é afinal Pluto?

“Existia um conceito que foi construído enquanto íamos acrescentando músicas ao nosso reportório”, esclarece o músico. “Um dos nossos maiores objetivos era que esta fosse uma banda de guitarras e bateria, sem teclados, uma banda de rock puro e duro”.

Foi esta vontade que gerou o peculiar som da banda, que tinha uma ideia clara dos elementos que queria acrescentar ao seu som.

“Queríamos inserir uma componente mais psicadélica e minimalista nas músicas. Em tom de brincadeira costumava referir que estávamos a meter os Pixies e os Pink Floyd ao barulho, apesar de não achar que seja representante do que estávamos a tocar”, acrescenta.

“Podemos ir beber várias ideias, mas na prática elas podem nem acabar por se traduzir, são apenas formas de desenhar a imagem que temos na cabeça. Mas foi assim que conseguimos o minimalismo destas músicas”, explica. “Tal como acontecia nos Pixies, onde as canções são simples na sonoridade, apesar de recolher estes elementos que estava a referir. Apesar de algumas ideias terem surgido sem serem combinadas, aquilo que nos estava a encantar era essa simplicidade dos jogos das guitarras e as harmonias que estávamos a fazer”.

O lançamento de Bom Dia, apesar de não ter tido o mesmo impacto que os discos de Ornatos, acabou por gozar de um certo sucesso e uma alta rotação, como recorda Leorne, que se lembra de ouvir a Só Mais Um Começo “em todo o lado”, incluído no extinto canal de televisão, Sol Música, e até nos ensaios da sua antiga banda, Rope, com o seu guitarrista a replicar os acordes desta canção.

“Como foi a primeira coisa que apareceu depois dos Ornatos, houve muitos fãs que se agarraram a Pluto”, explana a jornalista. “Foi aquele ponto final definitivo nos Ornatos, se eles estão a fazer outra coisa é porque já não existe Ornatos, e muitos fãs estavam a tentar dissecar e perceber o que é que estava ali que ainda era Ornatos e o que é que é de novo, tentar perceber o que é que ficou e o que é que os novos membros trouxeram de diferente”, acrescentando que muitos fãs nem se deram ao trabalhar de “perceber” o que estavam a ouvir.

“As pessoas às vezes esquecem-se que os Ornatos não são só o "Monstro", que é mais polido, eles também tinham um lado altamente instrumental com o "Cão". É como se existissem dois lados radicalmente diferentes. Então, se existe o experimentalismo do "Cão" e a "obra-prima" que é o "Monstro", então o que são os Pluto? O que é que é Manel? O que é que é Peixe?”.  

Atualmente, tal como Manel já tinha referido, as pessoas parecem mais dispostas a aceitar este projeto, que acabou por se tornar uma banda de culto para muitos fãs, o que talvez possa ajudar a explicar este novo regresso aos palcos.

 

“Uma feliz coincidência”

“Foi uma conjugação de astros”, observa Luís Salgado, dono do espaço noturno portuense, Maus Hábitos, cuja festa de aniversário, O Salgado Faz Anos… Fest!, se tornou sinónimo de uma das maiores festas de músicas portuguesa do início do ano.

“Há uns tempos estava a conversar com o Peixe sobre bandas antigas e, por acaso, começámos a falar Pluto, que é a minha banda favorita que surgiu entre os membros dos Ornatos Violeta”, confessa.

“Na altura, por coincidência, ele contou-me que a banda se tinha voltado a juntar para fazer uns ensaios. Fiquei entusiasmado e disse que era incrível eles voltarem aos concertos na minha festa de anos, uma sugestão que ficou assim plantada”, recorda, acrescentando que, mais tarde, quando se encontrou com Manel e conversaram sobre esta ideia, o convite “serviu como catalisador para ensaiarem mais regularmente, agora que tinham um objetivo mais concreto”.

“Passado uns meses, ligaram-me a dizer que os ensaios estavam a soar muito bem e que aceitavam o meu desafio. Impecável. Espetacular”, regozija-se.

Sobre este inesperado convite, Manel reforça que, “na verdade, os Pluto nunca acabaram”, foram apenas colocados em pausa.

“Ao longo dos últimos anos, fomo-nos reunindo diversas vezes para tocar juntos, mas também para ir criando coisas novas e fomos enchendo gravadores com ideias e músicas, mas o tempo vai passando sem te aperceberes…”, confessa o portuense.

“Recentemente, apercebemo-nos que estávamos todos com saudades do rock e de tocarmos todos juntos. Era difícil porque não conseguíamos manter uma rotina, mas surgiu esta oportunidade, de tocarmos na Festa do Salgado, num registo mais descomprometido, que nos podia aumentar a confiança e servir para tocarmos coisas antigas, mas também algumas coisas novas”, revelou. “Sentimos que este podia ser um pretexto para estabelecermos uma meta e irmos ganhando algum ritmo. Voltámos a tocar as músicas antigas, que nos soube muito bem, enquanto, ao mesmo tempo, criamos canções novas e acabámos por dar um empurrão mais forte a este projeto”.

Este reencontro especial em cima de palcos tem sido uma das imagens de marca das últimas edições do Salgado Faz Anos, que também acolheu o regresso dos Parkinsons e dos ZEN. Apesar de contar com uma forte montra de jovens e talentosas bandas portuguesas, 800 Gondomar, 10000 Russos ou Unsafe Space Garden.

“A Festa do Salgado não é um festival, é a minha festa de anos, por isso, é importante, para mim, ter algumas bandas que me marcaram no passado”, afirma o proprietário do Maus Hábitos que recordou com saudade a primeira vez que viu Pluto foi num concerto em Vila de Rei, em Castelo Branco, num festival que já não existe. “Foi a primeira vez que ouvi os Pluto, não os conhecia, mas estava com vontade de ouvir coisas novas”.

 Há semelhança de tantos outros fãs desta banda de culto, para Salgado, o grande destaque desta banda é o destaque que é dado às guitarras. “Considero que arriscam mais em termos de composição, particularmente nos jogos harmónicos de guitarras, que são mais desafiantes do que nos outros projetos deles”, explica o homem que também possui o seu projeto musical, Stereoboy, elogiando também a estrutura das canções.

“As músicas têm uma certa de caraterísticas que as distinguem. Parecem dividir-se em duas partes distintas, quase que parece que no final cada canção se transforma em algo completamente diferente. Tem um som muito peculiar. É um projeto que puxa muito pelo rock, mas tem uma grande sensibilidade pop, são canções muito boas. Acho que é mais a minha escola”, admite.

“Há uma longa caminhada dentro de cada canção”, explica Manel. “Muitas vezes existe uma melodia ou um tema que identifica a canção, mas depois existe toda uma viagem que acaba por dispensar a melodia”. 

Quem também partilha da mesma opinião é o baixista dos Capitão Fausto, Domingos Coimbra, que, para além de afirmar que Pluto é o seu projeto favorito de Manel Cruz, afirma que é uma “opinião generalizada entre os Capitão Fausto que os Pluto foram dos maiores responsáveis por nos fazer cantar em português”.

“Lembro-me de há uns doze anos atrás andarmos a aprender a tocar músicas como a Vida dos Outros e a Só Mais Um Começo. Era uma banda recorrente que todos ouvíamos nas nossas viagens de carro”, recorda, acrescentando que uma das primeiras músicas do grupo, A Criança Mais Velha do Mundo, apesar de “não ser diretamente influenciada por Pluto, foi criada numa altura em que ouvíamos imenso essa banda”.

“Quando o disco saiu, para mim o álbum ainda não era uma realidade, em 2004, no máximo ouvia Da Weasel, mas ainda estava muito longe, devia estar a pegar no baixo pela primeira vez e muito mais virado para a música anglo-saxónica”, recorda. “Só ouvi Pluto passado alguns anos, quando comecei a prestar mais atenção à música portuguesa”, explicou. “Ornatos chegou-nos primeiro, mas quando começámos a explorar a discografia do Manel ficámos todos mais agarrados a Pluto, os cinco”.

Para Domingos, “cada projeto destes músicos suscita sentimentos diferentes”, mas no caso de Pluto, este afirma que sempre sentiu “um movimento dentro do próprio grupo”.

“Os Pluto são uma fotografia tirada naquela altura, não diria que é um pedestal das suas carreiras, mas pelo menos é uma fotografia que me traz muito boas memórias e é um trabalho muito bem conseguido do início ao fim, adoro o som do disco, o trabalho das guitarras, acho que é um excelente álbum”, afirma.

Assim se pode descrever os Pluto, apesar de não ser o projeto mais sonante destes músicos, quem se agarrou a Pluto, nunca mais os largou, por isso, para eles, é uma felicidade o regresso aos palcos.

Um fã incondicional de Pluto, Bruno Coelho, recorda o lançamento de Bom Dia como “um álbum ótimo para quem ficou órfão de Ornatos”.

“A primeira vez que ouvi o "Bom Dia" foi um alívio. Os Ornatos sempre foram a minha banda preferida, e afinal havia mais para ouvir do trabalho de alguns daqueles músicos”, confessa, revelando que, se tiver oportunidade, irá procurar bilhetes para um concerto do grupo.

“É triste crescer com uma banda que não tens oportunidade de ver ao vivo. E já me conheço, não vou perder oportunidade de assistir aos concertos de reunião dos Pluto, porque quando eles deixaram de dar concertos eu ainda não tinha idade para essas vidas” disse. “Vai ser um impacto muito grande ouvir músicas que estão completamente emolduradas com a versão de estúdio, e escutá-las ao vivo, quase 20 anos depois de terem sido gravadas”.

Para já, com apenas um concerto marcado e a promessa de que existe a “ideia” de gravar um disco novo, um regresso mais prolongado dos Pluto, apesar de não estar confirmado, parece ser algo que pode estar no horizonte.

Mas estará, desta vez, o mundo pronto para aceitar o Pluto? Terá a sua música envelhecido como um bom vinho maduro?

“Lembro-me de um amigo meu comentar, quando saiu o disco, que não tinha percebido nada deste trabalho, nem onde queríamos chegar”, recorda entre risos Manel. “Gosto da sinceridade e de perceber o que se passa no mundo. No momento em que estava, também não lhe fui capaz de responder a esta questão, para mim, os Pluto eram o resultado do nosso trabalho”, confessa.

“Hoje em dia olho para trás e parece algo extremamente concreto, com imensas memórias adjacentes. É um disco que adoro, se calhar um dos que mais gosto entre aqueles que participei, e que envelheceu mesmo bem. Mesmo depois deste tempo todo, ouço mais comentários sobre Pluto do que na altura”, revela.

“As coisas precisam de tempo para serem absorvidas e fazerem parte da sociedade ou para acabarem por ser esquecidas. No caso dos Pluto, sinto que existe muito carinho, não em termos de quantidade, mas sim em termos de qualidade, com pessoas que vem falar sobre o impacto que teve nas suas vidas”, diz. “Nesse sentido, sinto que envelheceu bem. Isto são discussões muito relativas, felizmente na música há malucos para gostar de tudo e temos todos público”.

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