29/05/2022
 
 
Legislativas. Houve sondagens aos votos antecipados

Legislativas. Houve sondagens aos votos antecipados

Patrícia de Melo Moreira/AFP Henrique Pinto de Mesquita 24/01/2022 12:06

Os dados recolhidos só poderão ser publicados no dia 30 às 20h00 de Portugal continental, ou seja, ao mesmo tempo que os que serão recolhidos no dia. Intercampus garante confidencialidade da informação.

Ontem houve sondagens à boca das urnas. Realizadas, relata-se, por mais do que uma empresa de sondagens. A única que o i confirmou foi a Intercampus, que garantiu que toda a informação ontem recolhida ficará “classificada” e até dia 30 será apenas usada para “uso interno”. O contrário, aliás, nem poderia ser – uma vez que seria ilegal.

O dia acordou com as redes sociais a celebrarem a democracia, tendo muitas pessoas aproveitado para reltar o facto de terem votado antecipadamente. No total, em Portugal, foram 300 mil votos antecipados – nos quais constam os de António Costa, Rui Tavares, João Oliveira e Eduardo Ferro Rodrigues. Acontece que, da mesma maneira que muitos foram votar, muitos foram, também, à saída, questionados quanto ao seu voto. Considerando que o dia de votação ‘oficial’ será apenas no próximo domingo, urge então a questão: então que farão as empresas de sondagens com estas informações tão preciosas?

Basicamente, nada. Pelo menos até dia 30, garante ao i a Intercampus através do seu diretor-geral, António Salvador. E mesmo às 20h00 continentais do próprio dia 30, duvidas há sobre se a informação ontem recolhida será ou não integrada nas sondagens à “boca das urnas”. É apenas um “fato preventivo do que poderá ocorrer”, garante António Salvador. Não sabe se irão “utilizá-los”, mas, “à partida”, não – “sendo que se houver fatores estranhos na próxima semana” esquecerão “o que aconteceu esta semana”. Se houver uma bronca enorme não irei utilizar”, afirma ao i. Quanto a utilizar a informação antes de dia 30, a ideia está absolutamente fora de questão. Ao i, garante que a informação será “classificada” e apenas utilizada para “uso interno”. Rejeita, também, vendê-la a qualquer partido ou entidade privada, acrescentando que “qualquer sondagem que a InterCampus faça durante esta semana nunca contará com a informação hoje recolhida. Só podemos usar para dia 30”, conclui o diretor-geral.

Algo óbvio previsto na lei, mais propriamente no “Regime jurídico da publicação ou difusão de sondagens e inquéritos de opinião”.

Este, no seu artigo 10º, é bastante explícito ao notar ser “proibida a publicação e a difusão, bem como o comentário, a análise e a projecção de resultados de qualquer sondagem ou inquérito de opinião (…) desde o final da campanha relativa à realização do acto eleitoral ou referendário até ao encerramento das urnas em todo o País”. Uma almofada legal que encontra conforto na pessoa de João Tiago Machado, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições. Ao i, João Tiago Machado afirma que esse artigo impossibilita, de facto, a divulgação de quaisquer sondagens à boca da urna – antecipada ou não – antes das 20h00 continentais do próximo dia 30. Confessa, também, não estar recordado se alguma vez houve, ou não, sondagens à boca das urnas antecipadas.

 

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