29/05/2022
 
 
Covid-19. Diagnósticos continuam a subir sem pico à vista

Covid-19. Diagnósticos continuam a subir sem pico à vista

AFP Marta F. Reis 24/01/2022 08:10

Portugal deverá chegar hoje a um milhão de pessoas isoladas. “É provável que o pico de casos seja atingido mais tarde do que o esperado”, diz ao i INSA.

O número de diagnósticos de covid-19 em Portugal continua a subir e as projeções de que o pico poderia ter sido atingido nos últimos dias não se confirmaram, com a epidemia a manter uma tendência crescente em todas as regiões do país fruto da subida muito acentuada nos diagnósticos nas crianças, a que seguem as outras faixas etárias. Aumenta assim o número de portugueses isolados, que este fim de semana quase atingiram um milhão entre infetados e contactos em isolamento profilático de acordo com os boletins da DGS: no sábado eram 968 672 pessoas em isolamento, quase já 10% da população, barreira que poderá ser ultrapassada esta semana com recordes de absentismo escolar e laboral.

Analisando a tendência de diagnósticos nos últimos sete dias, houve uma nova aceleração da epidemia, que se traduz num aumento de 37% dos diagnósticos positivos para o SARS-Cov-2 na última semana, sendo a região onde o crescimento é mais suave Lisboa. De acordo com os dados da DGS, analisados pelo i, no Norte os diagnósticos aumentaram 51% nos último sete dias, na região Centro 77%, em Lisboa 13%, no Alentejo 56% e no Algarve 62%. Mas olhando só para sábado, sendo o fim de semana habitualmente um período com menos diagnósticos dado que muitos laboratórios e farmácias estão fechadas, percebe-se que a tendência se mantém: comparando com o sábado da semana anterior, em que tinham sido diagnosticados a nível nacional cerca de 32 mil novos casos, houve um aumento de 41% esta semana. A testagem aumentou também e está em níveis inéditos este mês, mas a positividade está também em níveis elevados, o que indicia que além das infeções diagnosticadas há mais pessoas infetadas que não sabem estar.

Pico incerto Questionado pelo i, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que projetou, caso as semanas de contenção tivesse reduzido o RT a menos de 1, o que não aconteceu, que o pico de infeções pudesse ter acontecido mais cedo em janeiro, diz que o provável é que o pico de infeções chegue agora mais tarde e que o número de portugueses confinados no final desta semana possa vir a ser superior, com o elevado absentismo a prolongar-se no tempo. “Relativamente aos indivíduos em isolamento ou quarentena, colocámos como hipótese na semana passada que, a verificarem-se os cenários traçados, a 30 de janeiro já deveríamos estar em fase descendente da incidência, pelo que, de acordo com as nossas simulações, esse valor a 30 de janeiro poderia estar entre 3 a 7% da população”, recorda ao i Baltazar Nunes, epidemiologista do INSA. “Por esta altura, podemos dizer que é provável que o pico de casos seja atingido mais tarde do que o esperado e, por consequência, a percentagem de isolados a 30 de janeiro seja superior aos valores que projetámos”, indicou na sexta-feira ao final do dia, remetendo para o curso desta semana projeções mais concretas sobre o que esperar no final deste mês.

Menor severidade Apesar do recorde de infeções e do absentismo em níveis inéditos, a severidade associada à infeção continua abaixo do que se verificava há um ano e os dados publicados pela Direção Geral da Saúde não permitem perceber, entre os agora mais de 2000 de internados, quantos foram admitidos nos hospitais por outras causas tendo testado positivo para a covid-19, um relato que tem sido feito por vários hospitais e médicos que salientam o impacto de separar circuitos e pressão sobre urgências e cuidados primários mas uma vaga diferente das anteriores. O relatório de linhas vermelhas de sexta-feira refere o aumento da mortalidade específica por covid-19, mas não é também percetível se estão a aumentar os casos graves de covid-19 fatais ou a mortalidade por outras causas – com a disseminação da infeção, é expectável que parte dos óbitos diários ocorram em pessoas positivas para o SARS-CoV-2 mesmo não sendo essa a causa de morte.

O relatório trouxe para já novos dados sobre a proteção associada às vacinas nos internamentos de novembro, quando até aqui só estavam disponíveis dados de outubro, e também uma análise da mortalidade em dezembro.

Segundo a análise da DGS e do INSA, as pessoas com um esquema vacinal completo tiveram um risco de internamento 2 a 5 vezes menor do que as pessoas não vacinadas, entre o total de pessoas infetadas em novembro. As pessoas com um esquema vacinal completo tiveram um risco de morte 3 a 6 vezes menor do que as pessoas não vacinadas, entre o total de pessoas infetadas em dezembro. “Na população com 80 e mais anos, a dose de reforço reduziu o risco de morte por COVID-19 para quase seis vezes em relação a quem tem o esquema vacinal primário completo”, refere o relatório. Em dezembro, entre as pessoas com estado vacinal conhecido, refere o documento, ocorreram 196 óbitos (40%) em pessoas não vacinadas, 14 óbitos (2%) em pessoas com vacinação incompleta, 247 óbitos (50%) em pessoas com esquema vacinal completo contra a COVID-19 e 38 (8%) óbitos em pessoas com dose de reforço. A nível nacional foram reportadas 518 mortes de pessoas com diagnóstico de covid-19 em dezembro, pelo que há 23 casos em que a DGS o estado vacinal. Janeiro e fevereiro de 2021 foram os meses com mais mortes por covid-19, quase 10 mil.

 

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