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Vacinar!

Vacinar!

Vânia Mesquita Machado 14/01/2022 09:28

Não somos seres encasulados em ninharias, mas humanos, e o contributo de todos faz diferença para um mundo melhor. Passem a mensagem: é muito importante vacinar.

Podia não escrever mais sobre vacina Covid nas crianças.

Altura de eleições, parece nem interessar.

Negacionistas acenam a bandeira do fim da pandemia. Mas a OMS também referiu a possibilidade de novas variantes. Certezas absolutas? zero.

As evidências científicas sobre a segurança da vacina estão acessíveis em fontes idóneas - Sociedades de Pediatria Internacionais.

É eficaz na proteção de Covid grave, que não é ficção em crianças.

Números da DGS:2,8 % dos atuais internamentos pediátricos.

No Dona Estefânia, 5 crianças com MIS-C, doença que pode ocorrer um mês pós infeção-idade média, 8 anos. Confirmado pelo CDC a vacinação completa previne MIS-C.

Sem escrever, cuidava dos «meus meninos dos outros», dos meus filhos e recarregava a paz de espírito pela natureza.

Dispenso protagonismo e likes, não leio comentários negacionistas.

Expresso-me nos meios de comunicação social sobre temas importantes para crianças, incitada pela consciência.

Gosto de ser Pediatra. Dedicada ao Ambulatório, sinto-me mais próxima dos pais e vou acompanhando os meninos a crescer.

Vacinei os meus 3 filhos adolescentes contra a Covid.

Em 2015, defendi a comparticipação da Prevenar na RTP-agora pertence ao PNV.

Em 2022,a vacina contra a Covid é gratuita e podemos vacinar crianças.

A minha mãe disse-me que não somos ilhas; as mães são sábias.

Não somos seres encasulados em ninharias, mas humanos, e o contributo de todos faz diferença para um mundo melhor.

Passem a mensagem: é muito importante vacinar

Ajudemos a dissipar dúvidas dos pais, desorientados por outras opiniões, e notícias sem provas sobre consequências de vacinar.

A maioria dos colegas é a favor da vacina.

Em 2017, correntes anti-vacina na moda em Portugal levaram a surtos de tosse convulsa e de sarampo, com a morte de um adolescente a lamentar.

Advogados da imunidade natural iludem pais com teorias apelativas: soam a produtos biológicos.

As crianças fortalecem o sistema imunitário no contato com microrganismos do meio, enquanto crescem.

Mas sem vacinas, o topo da mortalidade infantil em países desenvolvidos era ocupado por causas infeciosas.

Nos Estados Unidos, infeção Covid é a 6ª causa de mortalidade infantil.

Céticos, alegam não existirem muitos meninos gravemente doentes, por isso não se justifica vacinar.

Supostamente cautelosos, apontam a falta de estudos sobre efeitos laterais a longo prazo.

Tal como nos países onde os números de infetados são maiores, em Portugal ninguém sabe se nos próximos tempos teremos 5 vezes mais meninos internados.

A história da pandemia está a ser escrita: somos personagens reais no guião.

A ciência do Sars-Cov2 tem mantido a lógica matemática numérica proporcional: mais casos, maior gravidade.

O Ómicron é explosivamente contagioso.

Balanço do risco a longo prazo - o que tem mais peso?

Esperar por um vírus mais virulento? Vacinar desconhecendo um potencial efeito lateral?

O sistema imune tem memória - os linfócitos T, após contato com um vírus vivo ou partes deste por vacinas, ficam atentos se existir uma reinfeção, identificando-a e enviando sinais aos B, que produzem mais anticorpos, evitando assim doença grave.

Mesmo após mutações, por norma um sistema de defesa saudável reconhece a base principal do vírus. Isto é a imunidade natural.

Efeitos a longo prazo da vacina? O Covid pode deixar marcas após infetar que estão subvalorizadas.

Existem hospitais para Covid Longo pediátrico. Em Israel, estima-se que 1% de crianças após Covid ligeiro ou assintomático possam ter sintomas persistentes - baixa tolerância a esforços, dificuldade de concentração, e outros.

Segundo dados do Prof. Dr. Caldas Afonso existem estudos portugueses sobre Covid Longo pediátrico.

Como Pediatra afirmo ser sensato, com os conhecimentos disponíveis no presente, vacinar as crianças.

Citando a Dra. Mª João Brito, nem o paracetamol é inócuo.

8 milhões de crianças já vacinadas no mundo, raríssimos efeitos laterais.

E as miocardites em crianças infetadas são incomparavelmente mais frequentes e de muito maior gravidade do que as pós vacinais (Dra Mª João Baptista).

Reforçando palavras do Dr. Miguel Guimarães, o processo de vacinação em todas as idades elegíveis atualmente tem de ganhar asas para colmatar atrasos.

Anunciada pela DGS a nova data para vacinar crianças: 5 de fevereiro. Tardia.

São as crianças as primeiras a não quererem o encerramento das escolas.

Arriscar mais impacto psicológico negativo do isolamento em crianças e repercussões de um ensino não presencial, que não dá os frutos do ensino em sala de aulas, é um atentado à saúde mental da geração futura.

As crianças vivem em família- o agregado tem pais, irmãos mais velhos e avós. Não vacinadas, são mais facilmente infetadas - o ciclo de isolamentos profiláticos é um carrossel.

A vacina não evita infeção, mas reduz a carga viral. A criança imunizada não precisará de isolamento em caso de surto na turma, como os adolescentes.

Desejamos que «o mundo voltasse a pular, bola colorida nas mãos de uma criança».

Esta vacina é a arma mais eficaz que dispomos no presente, para que num futuro próximo a normalidade deixe de ser só sonhada.

 

Pediatra

 

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