25/01/2022
 
 
EUA. Fauci denuncia o senador "idiota" e o que "distorce" os factos

EUA. Fauci denuncia o senador "idiota" e o que "distorce" os factos

AFP Hugo Geada 13/01/2022 08:38

O conselheiro da Casa Branca para a pandemia revelou que chegou a ser ameaçado por negacionistas e pessoas anti-vacinas.

O principal epidemiologista do governo dos Estados Unidos, Anthony Fauci, perdeu a paciência, esta terça-feira, e criticou os senadores republicanos, Rand Paul e Roger Marshall, a quem chamou “idiota”.

O conselheiro de Biden perdeu a postura depois de Marshall o ter desafiado a revelar as suas declarações fiscais. “Como o funcionário mais bem pago de todo o Governo federal, estaria disposto a apresentar ao Congresso e ao público uma declaração financeira que inclua os seus investimentos passados e atuais?”, perguntou o senador republicano eleito pelo Kansas, durante uma audição a Anthony Fauci, no Congresso.

Fauci respondeu com desagrado, acusando Marshall de estar “extraordinariamente mal informado”, explicando que os seus investimentos e as suas declarações financeiras são do conhecimento público há mais de 30 anos e podem ser verificadas por todas as pessoas, enquanto se voltava a sentar sussurrou: “Jesus Cristo, que idiota”, algo que foi possível ouvir uma vez que microfone estava ligado.

No mesmo dia em que os Estados Unidos registaram um número recorde de hospitalizações devido à pandemia, Fauci também teve que medir forças com o senador Rand Paul, que repetidas vezes espalhou teorias da conspiração sobre a origem da covid-19, duvida da eficácia das vacinas e defende o despedimento do epidemiologista.

“Como habitual, Senador, está a distorcer tudo sobre mim”, disse o conselheiro da Casa Branca. “Continua a desferir ataques pessoais contra a minha pessoa que não tem qualquer tipo de relevância”. 

Fauci foi ainda mais longe, acusando o republicano de ser um dos responsáveis por ele e a sua família estarem a receber ameaças de morte. “O que acontece quando me acusa de coisas que são completamente falsas”, disse Fauci, citado pelo Guardian, “é que acende o rastilho de loucos por aí e recebo ameaças à minha vida, a minha família é assediada e os meus filhos recebem telefonemas obscenos de pessoas porque há pessoas que estão a mentir em relação à minha pessoa”, concluiu o epidemiologista, que levou para a comissão de saúde do Senado uma fotocópia retirada do site da campanha de Rand onde se podia ver o slogan: “Fire Dr. Fauci”.

O epidemiologista recordou ainda que, em dezembro, um homem que o planeava matar, assim como a outras figuras poderosas, e que carregava consigo uma arma de fogo, foi detido pelas autoridades.

Recentemente, em Portugal, foram realizados vários trabalhos sobre médicos que denunciavam receberem ameaças e abusos quando abordam a questão da covid-19.

A disseminação de fake news tem sido um dos maiores obstáculos do controlo da pandemia nos Estados Unidos. Um dos mais recentes “curativos” praticados pelos “anti-vaxxers” é beber a própria urina.

Este caso é citado no jornal inglês, por Arwa Mahdawi, que relata como o líder do grupo anti-vacinas chamado “Vaccine Police”, Christopher Key, tem aconselhado a realizar a “terapia da urina”, citando pesquisas médicas de origem dúbia.

Esta não é a única “terapia experimental” que gerou preocupações entre especialistas de saúde. Em 2020, o ex-Presidente Donald Trump sugeriu injeções de lixívia para curar o vírus e, recentemente, Tucker Carlson dedicou uma grande parte do seu programa a explorar os potenciais do viagra como cura da covid-19.

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