23/01/2022
 
 
Debate. Costa e Rio no frente-a-frente: da família socialista ao fantasma da austeridade

Debate. Costa e Rio no frente-a-frente: da família socialista ao fantasma da austeridade

Patrícia de Melo Moreira José Miguel Pires 13/01/2022 08:24

Os líderes do PS e do PSD estarão hoje frente a frente, no mais antecipado debate antes das eleições legislativas.

O ambiente está quente, e augura-se um esgrimir de argumentos intenso ao longo de 50 minutos. Com Rui Rio a aproximar-se nas sondagens, o debate de hoje pode ajudar a definir quem será o próximo primeiro-ministro.

Os socialistas têm em mãos a cartada da austeridade, do ‘fantasma’ de Passos Coelho e do austero Governo entre 2011 e 2015. António Costa pode servir-se generosamente desta arma de arremesso, e, já na manhã ontem começou a mostrar os seus trunfos. “Em 2019 tivemos o nosso primeiro excedente orçamental. Obviamente que em 2020 as coisas não correram assim, nem aqui nem na Europa. Mas já em 2023 iremos cumprir as regras quando forem restabelecidas”, disse, num encontro com empresários, na Costa da Caparica, procurando captar este tipo de eleitorado.

Mas, do outro lado da trincheira, os sociais-democratas também não parecem ter falta de argumentos para atirar a António Costa e à governação socialista do país. Afinal de contas, foram várias as polémicas por que passou o país desde 2015, e que António Costa teve de gerir com pinças.

Uma das principais foi o tema das ligações familiares entre socialistas, algumas no Governo, algumas nas autarquias. Mariana Vieira da Silva, ministra de Estado e da Presidência, que chegou a estar lado a lado no Executivo com o pai, José António Vieira da Silva, entre 2015 e 2019, quando foi ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (enquanto era casado com a deputada socialista Sónia Fertuzinhos). Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, é casada com Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, e Pedro Nuno Santos (ministro das Infraestruturas), saiu em defesa da mulher, Catarina Gamboa, quando esta foi nomeada chefe de gabinete do secretário de Estado Duarte Cordeiro.

Também nas listas de candidatos socialistas para as legislativas de 2022 não faltam familiares: Francisco César, filho de Carlos César, presidente do PS e ex-presidente do Governo Regional dos Açores, é cabeça de lista pelo PS no arquipélago, ao mesmo tempo que, na lista de candidatos do PS por Setúbal, o 5º lugar é ocupado por António Mendonça Mendes, atual Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, presidente da Federação de Setúbal do PS e irmão de Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS e cabeça de lista por Setúbal (que por sua vez é casada com Paulo Pedroso, antigo deputado do PS). Esta mesma lista, aliás, é formada ainda por João Gomes Cravinho, atual ministro da Defesa Nacional, filho do ex-ministro João Cravinho, em segundo lugar.

Polémicas Rui Rio tem muito por onde pegar, em termos de polémicas. Fale-se, por exemplo, dos casos das golas inflamáveis compradas pelo Ministério da Administração Interna, em 2019, o trágico acidente que vitimou um trabalhador na A6, num acidente com um carro onde seguia Eduardo Cabrita, e a polémica em torno das incorreções no currículo de José Guerra, escolhido para procurador europeu, entre muitos outros casos que ‘mancharam’ o Executivo socialista ao longo dos últimos anos.

Fantasmas No debate desta noite (às 20h30 e transmitido em todos os canais abertos), o primeiro-ministro terá de encontrar uma forma de contornar estas acusações. Um dos pontos de ataque a Rui Rio será certamente o eventual acordo político do PSD com o Chega. A solução de Governo encontrada nos Açores será o prato principal, servindo-se Costa das polémicas em torno desta ‘geringonça à direita’ que permitiu ao PSD retirar o PS do Governo Regional dos Açores. Após o PSD ter afirmado várias vezes que só formará Governo com o partido de André Ventura se este ‘se moderar’, mas sendo muito difícil formar uma maioria à direita sem incluir o Chega, o primeiro-ministro poderá aproveitar esta debilidade para atacar Rio onde mais lhe dói: nos eventuais acordos políticos pós-eleições.

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