23/01/2022
 
 
Vítor Rainho 12/01/2022
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

As festas de Boris e a falência de Walesa

Qual é o problema desta festa no jardim de Downing Street, supostamente um encontro para desanuviar da tensão pandémica? Acontece que o país nessa época estava em confinamento, e não fica bem aos governantes dizerem aos cidadãos para fazerem uma coisa quando eles fazem outra. 

Já se percebeu que no Reino Unido, os políticos, ou pelos menos alguns, gostam de beber um copo para desanuviar do stresse governativo. Penso que há dezenas de histórias que retratam o que se passa nos bastidores do número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro – nomeadamente no período de Margaret Thatcher.

Mas agora há outro chefe do Governo britânico que está sempre no olho do furacão, no que diz respeito aos copos, principalmente devido a tê-lo feito em período de confinamento. Boris Johnson é associado a cinco festas ilegais, mas, apesar disso, tem conseguido sobreviver aos ataques dos opositores.

Segundo rezam as crónicas, o chefe de gabinete de Boris Johnson convocou 100 funcionários, em 20 de maio de 2021, para uma festa nos jardim da casa oficial do primeiro-ministro. 

“Depois de um período incrivelmente atarefado, entendemos que seria bom aproveitarmos este tempo maravilhoso e tomarmos uma bebida, com distanciamento social”. Um pormenor bem engraçado é que o chefe de Boris Johnson, Martin Reynolds, apelou aos convivas para levarem bebidas – uma estratégia a ser seguida por todos nós quando convidamos alguém para casa.

Qual é o problema desta festa no jardim de Downing Street, supostamente um encontro para desanuviar da tensão pandémica? Acontece que o país nessa época estava em confinamento, e não fica bem aos governantes dizerem aos cidadãos para fazerem uma coisa quando eles fazem outra. Parece que esta é a quinta festa associada a Boris Johnson em tempos de pandemia e há mesmo quem diga que poderá levar à sua destituição.

Como sou sensível a festas, digo que me parece ser um motivo disparatado para destituir alguém, mas mesmo o meu lado mais brincalhão não é insensível a um gesto tão desproporcionado por governantes que não podem pedir uma coisa e fazerem outra.

P. S. O que dizer da situação de Lech Walesa, o homem do Solidariedade, antigo Presidente da Polónia e Nobel da Paz, que agora vive de vender fotografias e dar autógrafos, depois de ter entrado em falência? É triste. 

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