15/08/2022
 
 

Um país adiado à conta da "gasosa"

É óbvio que países que tiveram tantos anos de guerra não apostaram no essencial numa nação: a educação. As desigualdades são evidentes e basta ver o que se passa em Luanda – antes da descolonização, viviam perto de 500 mil pessoas na capital.

Angola é um verdadeiro barril de pólvora há muito tempo, e tem contado com uma oposição, digamos, sensata que não tem acendido o rastilho. E faz bem, pois o caos é tudo o que Angola, como qualquer outro país, não precisa. Mas as desigualdades sociais e uma polícia corrupta têm agravado a situação, já que os angolanos, os mais desfavorecidos que são a larga maioria da população, não veem um futuro risonho à frente.

É óbvio que países que tiveram tantos anos de guerra não apostaram no essencial numa nação: a educação. As desigualdades são evidentes e basta ver o que se passa em Luanda – antes da descolonização, viviam perto de 500 mil pessoas na capital. Depois, com a guerra civil, passou a albergar entre cinco a sete milhões de angolanos. A cidade e a periferia não estão preparados para tantas pessoas e é normal que os “esquemas” que os cidadãos foram criando sejam difíceis de alterar.

No dia de ontem falei com vários amigos angolanos que estavam furiosos com os atos de vandalismo, pessoas que vivem com muita dificuldade, mas que rejeitam o caos. Alguns, têm o sonho de vir viver para Portugal ou para Inglaterra.

Percebo-os lindamente, pois apesar da paixão por Angola – que é comum a quem passou por lá, África tem esse encanto – querem imaginar que vão ter um dia água canalizada, transportes públicos eficazes, hospitais que não são morgues e por aí fora.

Também não deixa de ser curioso o facto de nenhum partido português, com exceção do PAN, queira comentar a situação, posição literalmente oposta a um passado recente, quando José Eduardo dos Santos era Presidente. O futuro de Angola e de outros países africanos não se resolve com a simples mudança de líderes, mas sim com imposições de forças como o FMI que obriguem os governantes a apresentarem resultados em campos vitais na vida das pessoas, até para continuarem a receber ajuda financeira.

P. S. Os candongueiros, vulgo taxistas, são muito mal vistos pela maioria da população, mas quando as evidências são tantas, é natural que se fique do seu lado. A cultura da “gasosa” tem de ser combatida ferozmente e o João Lourenço até o prometeu, mas com os resultados que se conhecem...

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