23/01/2022
 
 
Vítor Rainho 10/01/2022
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Os ladrões de conteúdos jornalísticos não têm vergonha

No dia seguinte estava a falar com outros amigos que me disseram que também recebiam todos os jornais, mas noutro grupo que vai também nos 50 mil “borlistas”. Apurei também que não faltam nomes conhecidos nesses “borlistas”, entre os quais muitos políticos.

Muito se tem falado, e bem, do ataque à liberdade de imprensa que o grupo Impresa foi alvo. O grupo de hackers já fez estragos noutras latitudes e não consigo entender o alcance de bloquear os sites do grupo português. Posto isto, é preciso não esquecer o ataque diário de é alvo toda a imprensa portuguesa. Ainda há dias fui ter com um amigo que me começou a falar de uma entrevista que tinha saído nesse dia no i, tendo-lhe eu perguntado se tinha comprado o jornal. A resposta foi negativa e eu perguntei-lhe como era possível já ter lido o trabalho se no site ainda só estava um resumo. Aí ele mostrou-me o telemóvel e pude verificar que tinha todos os jornais portugueses e internacionais em PDF. Penso que esse grupo tem mais de 50 mil “borlistas” que põem em causa o trabalho de todos os profissionais de comunicação social. No dia seguinte estava a falar com outros amigos que me disseram que também recebiam todos os jornais, mas noutro grupo que vai também nos 50 mil “borlistas”. Apurei também que não faltam nomes conhecidos nesses “borlistas”, entre os quais muitos políticos. Sendo assim é caso para perguntar: essas pessoas não têm consciência que estão a fazer um ato de pirataria selvagem que coloca em causa a liberdade de imprensa? Como é possível pactuarem com uma vergonha destas? Há muitos anos, na candonga, não faltavam leitores de cassetes a um preço muito mais barato, já que os ladrões os disponibilizavam a todos aqueles que conheciam, que por sua vez os vendiam a outros conhecidos. Penso que qualquer pessoa de bom senso não entrava nesse esquema de comprar produtos roubados. Hoje o roubo não é de leitores de cassetes, mas sim de jornais e revistas. Já tentei várias vezes fazer a assinatura da revista brasileira Veja, mas como não tenho NIF daquele país não o consigo fazer. Mas não é por isso que vou ler a revista na candonga. Resumindo: são milhares os “borlistas” que aceitam o roubo dos conteúdos jornalísticos e que contribuem para a precariedade no meio, além de “ajudarem” as empresas a não serem viáveis. E era bom que tivessem vergonha na cara, mas calculo que muitos serão os mesmos que se gabavam de fugir ao pagamento de impostos. É o país que temos. 

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