27/09/2022
 
 

As doze passas da esperança

Para a minha primeira passa vou desejar que 2022 seja o ano da baixa do preço dos combustíveis.

Com um ano a acabar é tradição virarmos a nossa esperança para o ano que começa. Uma página em branco onde gostaríamos de inscrever 12 meses generosos para os nossos sonhos e anseios.

Na tradição das 12 passas, cada uma representando um desejo para o ano que começa, costumamos fazer esse exercício de esperança. E são esses meus 12 desejos que hoje partilho.

Para a minha primeira passa vou desejar que 2022 seja o ano da baixa do preço dos combustíveis. Depois de três anos de aumentos sucessivos e da quebra da promessa de redução do ISP, com Portugal a pagar um dos maiores valores por litro de combustível da Europa, desejo que 2022 traga essa tão ansiada redução.

Para a minha segunda passa vou desejar uma redução do sobredimensionamento do setor público, apresentado como um dos principais condicionadores do potencial de crescimento da economia portuguesa. Este indicador, que cresce sempre com governos de esquerda, afeta a competitividade do nosso país.

Depois irei comer uma passa desejando que 2022 seja finalmente o ano que marca o fim das experiências na TAP. É que os prejuízos da companhia aérea não param de se agravar, comprovando o erro monumental da reversão da privatização. Mais de 3 mil milhões de euros a “voar” para a companhia aérea, que poderiam ter significado uma redução de carga fiscal para os portugueses.

E já que estamos em passas pela mobilidade, irei também comer uma desejando que a CP possa vir a conhecer um investimento real, por oposição ao desinvestimento automático dos últimos anos. Sim, digo isto ciente de que em julho deste ano foi anunciado o maior investimento de sempre. Que voltou a ser anunciado neste mês de dezembro. Sempre em loop... como os cartazes do PS a prometer 14 centros de saúde em Lisboa…

Não podia faltar uma passa a desejar o fim dos erros na gestão da pandemia (sim porque desejar o seu fim parece claramente irrealizável). Depois de um arranque positivo no seu controlo, a cigarra socialista tinha de cantar mais alto e desleixar-se. Quando em todo o mundo já se sinalizava a necessidade de uma terceira dose, as autoridades de saúde portuguesas procediam ao desmantelamento dos centros de vacinação.

A minha sexta passa será para desejar melhores dias para as indústrias da hotelaria e da restauração, que tanto têm sofrido pela ausência de estratégia concertada deste governo.

A sétima passa vai ser para voltarmos a investir na saúde. De facto, estes últimos anos têm sido de um profundo desinvestimento no SNS e numa redução da sua autonomia. Nunca tantos médicos e administradores hospitalares se manifestaram contra a enorme redução de investimento, feita pelos arautos do SNS e em prejuízo de todos quantos necessitam dele, hoje mais do que nunca.

A oitava passa é pela Cultura. Durante anos a esquerda encheu a boca para falar da necessidade do Estado investir na cultura. E o que fizeram desde que lá chegaram? Nada. Inclusivamente na proposta para o orçamento do próximo ano, a cultura iria representar apenas cerca de 0,25% do OE (sem contar com a RTP).

A nona passa é para as nossas forças de segurança e pela esperança de voltarem a ser tratadas com dignidade.

A décima passa vai ser pela redução da carga fiscal, apontada como uma das mais altas da zona euro, em forte contraste com um dos ordenados mínimos mais baixos da União Europeia.

A décima primeira passa é contra o desinvestimento em várias áreas do ambiente, das florestas ao abandono, dos territórios rurais com promessas de atrair jovens agricultores e sem a garantia de uma real relação causa/efeito.

Parece particularmente evidente que o sucesso de todos os meus desejos residirá nesta décima segunda e última passa, onde peço um governo de alternativa ao Partido Socialista.

E são estas as minhas doze passas da Esperança.

Termino recordando que, curiosamente, esta tradição das doze passas começou sob a forma de um protesto contra a introdução de mais uma taxa na Madrid do final do séc. XIX.

Deixo a todos os leitores os meus votos de um bom ano novo, passado em alegria, com saúde e cuidados redobrados.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 

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