26/05/2022
 
 
José Cabrita Saraiva 21/12/2021
José Cabrita Saraiva
Opinião

jose.c.saraiva@ionline.pt

O país dos supermercados

Num raio de poucos quilómetros perto da minha área de residência pude contar, no verão, pelo menos uma dúzia de supermercados bem abastecidos, para não falar de um hipermercado gigantesco. Entretanto, no espaço de poucos meses, um desses doze foi totalmente renovado e nasceram mais três.

Não é preciso estar muito atento para ver surgirem, em especial na cintura em torno das cidades, novas construções com estrutura de aço que se erguem de um dia para o outro. São todas parecidas: embora cresçam à velocidade dos cogumelos, a sua forma é mais próxima do “caixote”, com um terreiro contíguo para servir como parque de estacionamento. Ao início ainda fiquei curioso: o que vai nascer aqui? Mas entretanto percebi que a resposta é sempre a mesma. Mais um Lidl, mais um Aldi, mais um Continente... Isto terá a sua razão de ser. O primeiro confinamento trouxe uma certa ansiedade. Antes que pudesse haver escassez de bens essenciais – como chegou a acontecer com os combustíveis, algo que pouco antes nos parecia impensável – as pessoas acorreram em massa aos supermercados para se abastecerem. Curioso: assim que há receio de algum acontecimento mais dramático, o primeiro impulso é correr para as compras. Nessa ocasião ficou célebre a história da falta de papel higiénico... As imagens de prateleiras vazias nos supermercados do Reino Unido – já para não falar da Venezuela, onde vivem tantos portugueses – também devem ter servido para acentuar essa ansiedade. Seja como for, os portugueses parecem estar loucos por supermercados. Num raio de poucos quilómetros perto da minha área de residência pude contar, no verão, pelo menos uma dúzia de supermercados bem abastecidos, para não falar de um hipermercado gigantesco. Entretanto, no espaço de poucos meses, um desses doze foi totalmente renovado e nasceram mais três, inclusive numa estação de serviço da autoestrada. E há outros três – que eu saiba – já em fase adiantada de montagem. O mais curioso é que estão sempre mais ou menos cheios. Em tempos houve a febre dos centros comerciais. Hoje muitos estão às moscas – e, lá está, é graças a terem um supermercado que ainda se aguentam. Agora são os supermercados que estão a dar. Com novas restrições a afigurarem-se cada vez mais prováveis, deverão continuar a ser um bom negócio nos próximos tempos. 

Os comentários estão desactivados.


Especiais em Destaque

iOnline
×

Pesquise no i

×
 


Ver capa em alta resolução

iOnline