12/08/2022
 
 

Por que a corrupção não é combatida eficazmente em Portugal?

Começo com algumas perguntas. Existe prostituição em Portugal? Existem imigrantes clandestinos que são explorados vergonhosamente? Existem processos judiciais com políticos, dirigentes desportivos, empresários ou banqueiros, por exemplo, que se arrastam anos a fio sem que os arguidos sejam condenados e, nalguns casos, acabem ilibados devido à prescrição dos processos? Podia juntar muitas mais questões, todas elas óbvias e verdadeiras, mas estamos num país onde se vive com uma intensidade própria de que o mundo vai acabar ao final do dia, pois na manhã seguinte a história já é outra e é preciso esquecer o que se falou anteriormente.

Vem esta conversa a propósito da notícia de ontem da CNN Portugal de que sete militares da GNR estão a ser investigados por agredirem e “humilharem com satisfação e prazer”, além de proferirem insultos racistas a imigrantes do Nepal, Bangladesh e Paquistão que trabalhavam nas estufas de Odemira. Há muito que se sabe que esses trabalhadores estão sujeitos à malvadez de muitos angariadores, além de serem presa fácil para guardas menos escrupulosos, e pouco ou nada é feito. Um país que quer e precisa de acolher trabalhadores tem de lhes garantir segurança, bem-estar e condições condignas para exercerem a sua profissão. Mas, por cá, o poder gosta de assobiar para o ar, esperando que as más notícias não apareçam com regularidade. Os imigrantes de Odemira – que também terão sido agredidos em Vila Nova de Milfontes às mãos dos tais sete guardas que até simulavam falsas operações stop para os maltratar – não estão sozinhos. Há quantos anos se sabe, por exemplo, que é proibido apanhar bivalves na zona da Ponte Vasco da Gama? Há quantos anos se sabe que o número de imigrantes ilegais não pára de aumentar nessa zona? Chegam a ser mais de mil, mas a polícia vai lá, de vez em quando, multar uns tantos desgraçados, porque o Estado não consegue olhar para o problema de frente e acabar com a ilegalidade. O mesmo se passa no campo dos processos judiciais sem fim à vista. Se vários atores judiciais apontam o caminho para resolver a situação, então qual a razão para não se mudar de vez o funcionamento da justiça? Será porque, como dizem muitos empresários, o PS e o PSD não estão interessados em combater sem tréguas o crime de corrupção? 

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