15/08/2022
 
 

Só um super-homem daria conta do recado

Pensava eu, portanto, que os ministros estavam sobrecarregados. Mas eis que António Costa, perante a demissão de Eduardo Cabrita, colocou a substituí-lo a ministra da Justiça, que passou a acumular duas das pastas mais pesadas, sensíveis e complexas.

Já por mais de uma vez, ao ver a pressão a que estão sujeitos, me ocorreu que seria boa ideia os ministros terem alguém com quem repartir as tarefas e as responsabilidades. É evidente que eles têm as suas equipas, os seus assessores, os seus chefes de gabinete, os seus secretários de Estado, etc., etc. Ainda assim, em última análise, todo o peso acaba por recair sobre os seus ombros, como no vértice de uma pirâmide invertida. E há momentos em que esse peso deve ser quase insuportável.

Por exemplo, quando vimos, há cerca de um ano, a ministra da Saúde a emocionar-se durante um discurso, ficou clara a pressão brutal a que estava sujeita.

Diria que num momento excecional como aquele que atravessamos é quase desumano que toda a gestão do SNS fique a cargo de uma só pessoa, dia após dia, mês após mês. E talvez por isso os hospitais públicos chegaram ao estado a que chegaram.

Resumindo: não devia haver uma ministra da Saúde, mas duas ou três ministras da Saúde para darem conta do recado. E o mesmo é verdade para a Educação, onde claramente falta uma estratégia, um rumo (a menos, claro, que se considere um rumo fechar algumas escolas e mandar os alunos para casa).

Pensava eu, portanto, que os ministros estavam sobrecarregados. Mas eis que António Costa, perante a demissão de Eduardo Cabrita, colocou a substituí-lo a ministra da Justiça, que passou a acumular duas das pastas mais pesadas, sensíveis e complexas.

Claro que será apenas por dois meses, e poucos estariam dispostos a aceitar serem ministros a prazo. Mas o princípio da duplicação dos cargos, seja como for, parece perigoso – para não falar dos riscos tão bem elencados pelo Bastonário dos Advogados em artigo de opinião que publicamos.

Se gerir um grande Ministério deve ser uma loucura e uma dor de cabeça, gerir dois ao mesmo tempo seria uma tarefa hercúlea só ao alcance de um super-homem ou uma super-mulher. Sem desprimor, não me parece que nem Francisca Van Dunem nem qualquer outro membro do Governo o seja.

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