18/01/2022
 
 
Vítor Rainho 06/12/2021
Vítor Rainho

vitor.rainho@ionline.pt

Eduardo Cabrita, um ex-ministro que não deixa saudades

Como é possível o despacho concluir que o elemento do Corpo de Segurança Pessoal da PSP ia no carro onde estava o ministro, quando o agente ia no carro de trás?

A história do acidente onde ia o ministro Eduardo Cabrita, e que vitimou um trabalhador na A6, em 18 de junho de 2021, parece não ter fim, mesmo depois da acusação do Ministério Público. Como é possível o despacho concluir que o elemento do Corpo de Segurança Pessoal da PSP ia no carro onde estava o ministro, quando o agente ia no carro de trás? E alguém acredita que o ministro ia “ensanduichado” no banco de trás, ladeado por um assessor e pelo homem da PSP? Quando o processo chegar a tribunal muita coisa se saberá, e esperemos para ver o que dirá Rogério Meleiro, o homem da PSP, que, pelos vistos, está a ser “queimado” nesta história, já que é ele, oficialmente, quem dá ordens para se andar mais depressa ou mais devagar.

É sabido que muitos governantes gostam de contratar os motoristas dos partidos, excluindo os “especialistas” da PSP e GNR. Há largos anos fiz reportagens em Belas onde os homens do Corpo de Segurança Pessoal, entre outras polícias de elite, treinam a condução agressiva e passiva. É impressionante como conseguem fazer marcha-atrás a uma velocidade estonteante e como se desviam de obstáculos, entre muitas outras “habilidades”. 

Eduardo Cabrita, apesar de ter sido ministro da Administração Interna, nunca quis esses homens a conduzir os seus carros, optando, regra geral, por funcionários do partido. Não quero dizer que se fosse um dos tais homens do Corpo de Segurança Pessoal que o acidente se teria evitado. Não estive lá e nem tenho uma bola de cristal, mas parece-me que este caso deveria fazer pensar os futuros governantes, já que os mesmos andam quase sempre em excesso de velocidade – como já o escrevi, só devo ter dois ou três amigos que respeitam os 120 à hora. Regra geral, os governantes não gostam de andar com “espiões” ao lado, mas então para que servem os elementos do Corpo de Segurança Pessoal?

Voltando ao acidente, esperemos para ver quem se enganou na elaboração do relatório. 


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