27/09/2022
 
 

Os novos desafios da pandemia

Vivemos num mundo global e os avisos de que enquanto todo o planeta não tiver o mesmo nível de vacinação dos países mais desenvolvidos são para levar a sério. 

A chegada da quinta vaga da pandemia traz consigo mais uma nova dimensão de incerteza, sobretudo o abalo que está a implicar nos cânones da gestão, por parte das autoridades políticas.

Desde logo porque a mensagem (errada) que começou por ser enviada aos portugueses, foi a de que a vacina iria resolver tudo. Nunca foi. Nem nunca as autoridades mundiais de saúde o afirmaram.
Importa, por isso, apelar (com urgência) à correção dessa mesma mensagem.

É necessário falar claro sobre o que está em jogo e sobretudo aprender, de uma vez por todas, a comunicar.
Em primeiro lugar importa deixar claro que a vacina não garante imunidade. Não nos cobre com um manto mágico que nos dá a possibilidade de viver com a normalidade de 2019. Quem está vacinado continua a poder contrair a doença e continua a poder propagar a doença.

A grande importância e vantagem da maioria das vacinas disponíveis reside no facto de atenuarem (significativamente) os riscos para a saúde de quem é contagiado pelo vírus. E isso é muito importante por muitas razões.

A principal é, claramente, a de garantir (na esmagadora maioria dos casos) que quem desenvolve a doença não sofre tanto com os seus sintomas, o risco de agravamento do estado de saúde é menor, logo a probabilidade de internamento e morte também. 

Recordo que, antes das vacinas estarem disponíveis, muitos acabavam por sofrer significativamente, resultando em problemas continuados de saúde (relembro o long covid, cuja dimensão ainda está por apurar) e, infelizmente, em muitos casos, prolongados internamentos ou mesmo a morte.

Outra enorme vantagem da vacinação resulta da clara diminuição da necessidade de internamento dos infetados, diminuindo a carga do SNS e permitindo-lhe lidar com todas as outras doenças que, infelizmente, não se suspenderam com a pandemia e continuam a necessitar de apoio hospitalar.

Daí o apelo ao reforço vacinal ao fim de seis meses. Não é porque as vacinas não resultam. É precisamente porque resultam e é necessário garantir que a sua eficácia se mantém para garantir a proteção dos mais frágeis e, indiretamente, de toda a comunidade.

Apesar de ter sido declarado o dia da libertação no dia em que o país atingiu os 85% de população vacinada, manifestamente a declaração de “morte” da pandemia era mesmo exagerada.

Vivemos num mundo global e os avisos de que enquanto todo o planeta não tiver o mesmo nível de vacinação dos países mais desenvolvidos são para levar a sério. 

O perigo continuará, com o aparecimento de novas variantes, que encontram terreno fértil para mutações contínuas em países onde o nível de vacinação é residual, onde até a água é escassa para os gestos elementares de higiene.

Por isso, a mensagem é simples. Independentemente de toda a fadiga que se abate sobre cada um de nós, temos de continuar a persistir. Com os gestos simples que já deveríamos ter interiorizado: uso da máscara, higienização das mãos, distanciamento social, testagem e vacinação.

Temos hoje acesso a mais ferramentas de proteção do que em Março de 2020, quando tudo se abateu sobre as nossas cabeças. De repente, sem se fazer anunciar.

E o bom senso é outra ferramenta essencial.

Não nos podemos deixar tolher pelo medo, nem agir como se nada estivesse a acontecer. O equilíbrio está (como sempre) no meio.

Vamos viver os nossos dias com as medidas de proteção necessárias, continuar a trabalhar, a produzir, a proteger as nossas famílias, os nossos amigos, a preparar o futuro que aí estará, independentemente de tudo.
 
Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 

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