16/01/2022
 
 
Marta F. Reis 29/11/2021
Marta F. Reis
Sociedade

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A falsa ilusão e um gabinete para o futebol na DGS

Esteve bem Graça Freitas no fim de semana, ao não esperar pela entrada em vigor das novas medidas – que em Portugal continuam a ser fechadas às quintas para entrarem em vigor dias depois – ao apelar a quem chegou de África antes destes alertas para se testar.

“Ergueram muros para criar uma falsa ilusão de proteção”. A crítica foi feita este domingo por Mia Couto e Eduardo Agualusa num texto certeiro depois da forma como a Europa, durante o verão mais cigarra que formiga, reagiu ao anúncio de uma nova variante de preocupação em África, suspendendo voos. 

Uma das lições da pandemia é que um vírus respiratório que causa também infeção assintomática e que pode ser transmitido por alguém sem sintomas não é possível de conter geograficamente desta forma. Nem a Organização Mundial da Saúde ou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças o recomendaram. Por precaução, porque sabe-se pouco ainda, recomendaram o reforço da vigilância, testagem e de medidas de proteção gerais, por exemplo nos transportes – que por cá voltam a andar cheios e não ventilados – para prevenir transmissão. 

Tenta ganhar-se tempo em vez de dizer que se a variante for mais transmissível, o provável é dominar a atual. Não vale a pena esperar o contrário. Se isso agravará o curso da pandemia, só o tempo o poderá dizer, mas este inverno seria sempre um teste à resiliência dos sistemas de saúde para lidar com a nova doença com medidas menos disruptivas e racionais mas atempadas, o que corre melhor com prevenção, planeamento e sem falsas expectativas.  

Esteve bem Graça Freitas no fim de semana, ao não esperar pela entrada em vigor das novas medidas – que em Portugal continuam a ser fechadas às quintas para entrarem em vigor dias depois – ao apelar a quem chegou de África antes destes alertas para se testar. Entre a comunidade científica que segue a área, a rapidez com que foi dado o alerta pelas equipas do Botswana e África do Sul está ser muito elogiada, por ter sido muito superior ao que aconteceu com a Alfa no Reino Unido ou a Delta na Índia. Sinal de aprendizagem e da importância da colaboração científica além fronteiras.

PS: Por cá, discute-se o Belenenses SAD-Benfica. Então tinha de ser a DGS a decidir como se joga futebol sem plantel porque as pessoas estão infetadas e isoladas? E se as empresas fossem pedir à DGS para lhes definir o trabalho quando alguém fica em isolamento? Ou as escolas? E por que não fazer isso para todas as doenças? Por outro prisma, se a DGS passar a ter um gabinete para o futebol talvez lhe sejam reforçados os meios. Os clubes podiam patrocinar.    


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