29/11/21
 
 
Carlos Pinto 22/11/2021
Carlos Pinto

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A política voltou à rua

Quem escolheriam António Costa e mesmo Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins se tivessem palavra na escolha interna do PSD?

O PCP voltou à Av. da Liberdade em Lisboa, mostrando que o seu braço armado, a CGTP, está fiel e determinada a seguir a táctica em cada momento definida pelo chefe da holding político/partidária.

Desde finais de 2015 que tal não se via e o exercício serviu para mostrar que esta força, que mais ninguém possui, pode exibir tarjas e tarjetas com reivindicações sobre os “salários, pensões” e a “precariedade no trabalho”, mas o essencial é a exibição identificadora com os objectivos eleitorais do PCP, o mandante.

Isto é, com a habitual subtileza de movimentos de um elefante numa loja de porcelana, a velha mensagem está colocada nos seus precisos termos: No final de Janeiro, não se atrevam a dar maioria à direita ou não pensem que o PS sozinho é solução para governar Portugal.

Chantagem democrática? Que ideia, apenas ilusões de um mundo aparte que não acredita na Concertação Social mas na confrontação social.

A observar o desfile lá estavam no “trottoir da avenida” os mandatários do PCP/BE, Jerónimo e Catarina, conferindo a ordem de sair à rua e o respectivo cumprimento, numa cedência sindical a objectivos de natureza partidária, que coloca o sindicalismo no plano da farsa político/eleitoral.

Este descritivo comportamental só tem como novidade a sua repetição quase óbvia: fazeis o que o PCP quer e a CGTP está sossegada; voltais costas ao PCP e aí vai manif …

O país que passou os últimos seis anos a contemporizar com esta prática, já conhece os resultados: crescimento insípido, perda de competitividade, fuga de cérebros jovens para o estrangeiro, pensões de miséria e salários idem.

Distribui-se o pouco que se produz, e o muito que se pede emprestado.

Esta realidade que nenhum desfile da CGTP/PCP/BE tem em conta e lhe merece atenção só pode ser alterada pela chegada ao poder de uma genuína vontade reformista assente num bloco de forças que, partindo da direita seja capaz de sensibilizar a classe média e todos os que sabem que Portugal precisa de longos anos de bom governo, medido pelos objectivos de investir, exportar e consumir. 

A rua do PSD Aqui entra a responsabilidade das escolhas do PSD entre um e outro dos candidatos.

Num suposto exercício de simpatia para com os candidatos em cena, quem escolheriam António Costa e mesmo Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins se tivessem palavra na escolha interna do PSD?

O carácter óbvio da resposta permite perceber onde está a afirmação de novas políticas, a não cedência a modelos conservadores de esquerda e a eventual escolha do próximo fim de semana.

De Rio já se sabe que o stakeholder preferencial está escolhido: A. Costa e não o povo reformista.

A continuação do hibridismo desmusculado está associado a estes anos de geringonça, em que a tradução prática da oposição esteve em dois ou três órgãos de comunicação social que na figura do chefe do PSD.

Rio terá acordado tarde para uma disputa interna que tem tradição neste partido e que ninguém pode dizer ser perturbadora.

Pelo contrário, o modelo deve ser exportado para todas as situações eleitorais onde o confronto democrático permitirá antever o pensamento e a acção de um novo líder.

Rio anda nitidamente perturbado tentando colar a um seu colega de partido, negativamente apreciado, aquilo que não diz dos adversários.

Mas a questão essencial não é essa.

Está em jogo um rumo, um caminho que mude o país e o leve a disputar o grupo dos mais desenvolvidos da Europa.

Para isso, há pouco para conservar de ligações instrumentais, que fujam a reformas urgentes a realizar no nosso país.

Da reforma do território até à reforma do sistema político; da captação de investimento estrangeiro ao ensino para todos, das contas certas orçamentais à capacidade de aproximação aos mais desenvolvidos, Rangel tem o perfil determinado para fazer da negociação política para estes objectivos, um exercício de respeito mutuo e uma afirmação de autonomia partidária, que o PSD foi perdendo nos últimos anos.

Há dinâmicas novas na sociedade portuguesa que vão desabrochar nas próximas eleições e será uma oportunidade perdida se os militantes e eleitores do PSD não oferecerem ao país uma ideia, um líder e um programa para Portugal mudar de governo, de maioria e de primeiro-ministro.

Jurista


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