7/12/21
 
 
A Direita que interessa

A Direita que interessa

Sónia Leal Martins 19/11/2021 10:55

Só o voto no PSD poderá trazer o centro direita ao poder.

Por Sónia Leal Martins, Politóloga

Depois de 24 anos de uma governação socialista nos Açores, a 25 de outubro de 2020, uma coligação regional de direita tirou o poder ao PS. Na sequência das eleições regionais de 2020, o PSD formou uma coligação com o CDS-PP e o PPM, integrando estes dois partidos o governo e encetou um acordo de incidência parlamentar com o CHEGA e a IL.

Não precisámos sequer de 1 ano, uma vez que o Governo açoriano tomou posse a 24 de novembro de 2020, para que o CHEGA queira atirar a toalha ao chão, podemos até dizer que é a primeira birra de André Ventura, ao contrário do que aconteceu com a “geringonça” nacional que conseguiu durante 6 anos uma estabilidade parlamentar, que permitiu que o PS pudesse governar e aprovar os Orçamentos de Estado.

A birra de André Ventura está intimamente ligada à posição defendida pelos dois candidatos à liderança do PSD, sobre uma possível coligação pós-eleitoral com o CHEGA – quer Rui Rio, quer Paulo Rangel rejeitaram ficar à mercê dos caprichos do líder do CHEGA e já fizeram saber que não formarão governo com o partido de André Ventura. 

Sabemos que há algum eleitorado moderado, que saiu do PSD e do CDS e que vota CHEGA sobretudo porque o PSD virou à esquerda no campo dos valores tradicionais e deixou um vazio que proporcionou o aparecimento do CHEGA.

O CHEGA nasce de um erro tático do PSD, quando se posiciona economicamente à direita e no campo dos valores mais à esquerda. É preciso mais PPD no atual PSD – este não é o PSD de Francisco Sá Carneiro, de Francisco Pinto Balsemão, de Aníbal Cavaco Silva, de Durão Barroso, de Pedro Santana Lopes e de Pedro Passos Coelho, curiosamente foram Primeiros-Ministros e foram líderes que se posicionaram ideologicamente mais à direita no campo dos valores, capitalizando os votos do eleitorado da direita mais conservadora e católica e no campo económico mais à esquerda, com preocupações na geração de riqueza para depois a poder distribuir.

O voto dos moderados no CHEGA será útil para o regresso do centro-direita ao poder? Claramente que não - um voto no CHEGA é um voto no PS, que perpetuará a esquerda no poder - só o voto no PSD poderá trazer o centro direita ao governo.

É ao eleitorado moderado, que por vários motivos se afastaram do centro-direita democrático e tem votado CHEGA, que o PSD tem de se dirigir e dizer de uma forma clara que existem pelo menos quatro motivos que os deve levar a votar no PSD, são eles:

1. O CHEGA representa a direita não democrática, o que levará qualquer cidadão moderado a não votar CHEGA;

2. O CHEGA é contra o Regime instaurado e quer uma nova Constituição – vamos lá saber o que poderá resultar de uma Constituição escrita por um partido antidemocrático!

3. O CHEGA é um partido de uma só pessoa, onde existe o culto da personalidade, típico dos regimes antidemocráticos;

4. A própria personalidade de André Ventura, que por vezes, à semelhança do que acontece com todos os líderes populistas, parece criar uma personagem, assumindo-se como uma pessoa que na realidade não é.

Para reconquistar o eleitorado moderado do CHEGA e manter o eleitorado de centro e de centro-esquerda, o PSD terá que ter a capacidade de conjugar duas variáveis: regressar aos valores fundacionais do PPD, que assentam em valores tradicionais, colocando o partido ao centro-direita e à direita nesse campo e manter os valores sociais-democratas no que diz respeito à política económica. Sempre que se verificou esta combinação, como vimos, o PSD foi governo.

Cabe agora a Rio e Rangel perceberem que este é o caminho que o PSD deve percorrer para ser o partido vencedor nas eleições que se avizinham.

 

 

 

Ler Mais


×

Pesquise no i

×