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Que progressos no tratamento do cancro do pâncreas?

Que progressos no tratamento do cancro do pâncreas?

Hugo Pinto Marques 18/11/2021 16:46

A 18 de Novembro assinala-se o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, o 12ª mais comum no mundo, correspondendo a 2,5% de todos os novos casos. Não sendo muito frequente, ocupa a 7ª posição no número de mortes de cancros e a sua incidência aumentou 2,3 vezes de 1990 para 2017. Em Portugal, é o 9º tumor mais frequente e o 6º mais mortal. Mas há cada vez mais progressos no seu tratamento.

O cancro do pâncreas é uma doença mais frequente em países desenvolvidos e a maior incidência localiza-se na Europa Oriental, Europa Ocidental e América do Norte. Os homens têm maior risco de desenvolver esta doença e a idade média na altura do diagnóstico ronda os 72 anos. Mas outros fatores de risco são importantes, como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a obesidade. Existem também vários genes identificados que se relacionam com um maior risco de desenvolver este cancro. Atualmente, para reduzir o risco desta doença, recomenda-se evitar o tabaco e o consumo excessivo de álcool, manter um peso saudável e incluir vegetais e frutas na dieta. Igualmente relevante é o acompanhamento médico regular ao longo da vida, permitindo vigiar a saúde e diagnosticar precocemente algum problema. 

É importante salientar que ter vários fatores de risco estabelecidos não significa, necessariamente, que o indivíduo desenvolverá cancro do pâncreas; paradoxalmente, muitos doentes desenvolvem a doença sem ter nenhum fator de risco, além do aumento da idade.

Quanto aos sintomas, a maioria das pessoas com cancro do pâncreas tem dor e perda de peso, com ou sem icterícia (coloração amarela da pele). Tais sinais devem ser motivo de consulta médica. Se a suspeita de diagnóstico se confirmar na realização de exames, então: num momento inicial, muitos doentes podem ser tratados e curados com cirurgia. Após a cirurgia, está recomendado um tratamento adicional, que pode incluir quimioterapia e/ou radioterapia. Poucos doentes são, no entanto, diagnosticados numa fase inicial da doença.

Algumas pessoas beneficiam de iniciar o tratamento com quimioterapia ou radioterapia antes da cirurgia, na tentativa de reduzir o tumor e permitir uma cirurgia mais eficaz. Mas, em cerca de 50% dos casos, o tumor é diagnosticado numa fase avançada. Se a cirurgia não for possível, a radioterapia, a quimioterapia ou ambas são usadas para manter estabilizada a doença, reduzir os sintomas e prolongar a vida. Mas não esqueçamos que cada caso é um caso, é necessário tratar de forma personalizada cada pessoa.

Nas últimas décadas temos assistido a avanços importantes na capacidade de diagnóstico, na quimioterapia e na melhoria dos resultados da cirurgia para este tumor. Para isto é fundamental que o tratamento do doente com cancro do pâncreas seja feito em unidades de saúde especializadas, que concentrem meios técnicos adequados e recursos humanos experientes, reunindo assim as condições necessárias para tratar esta doença complexa num ambiente multidisciplinar. Esta abordagem é, sem dúvida, o ponto crítico, o que mais influência tem no sucesso do tratamento. São necessários um maior entendimento do comportamento deste tumor e da sua genética. Sabemos hoje que certas mutações genéticas podem influenciar não só o prognóstico, como a resposta ao tratamento.

No futuro, terapêuticas específicas dirigidas a estas mutações serão a base do tratamento desta doença. O progresso no tratamento do cancro do pâncreas nunca foi tão claro. A progressiva colaboração entre a Medicina e as ciências básicas, como a Biologia, assim como o recurso à inteligência artificial, vão conduzir a um diagnóstico mais precoce e mais preciso, a terapêuticas dirigidas e individualizadas mais eficazes e a uma melhoria no panorama global desta doença.

Hugo Pinto Marques é Cirurgião geral no Hospital CUF Tejo | CUF Oncologia

 

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