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Luís Newton 18/11/2021
Luís Newton

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Rangel ou Rio

Nem Chega nem “Calma”. Não é possível estabelecer diálogo com partidos que têm como objetivo primeiro a destruição de tudo o que a democracia que construímos desde 1974, tem vindo a conquistar.

Com o aproximar do dia das eleições diretas no PSD, importa ir além das cortinas de fumo e da demagogia que costuma assaltar o debate sobre o que realmente está em causa.

Infelizmente há sempre quem se entretenha com as minudências e as pequenas disputas, mas o verdadeiro exercício político está em compreender as diferenças para o futuro do país (e, claro, também do partido) que encerram as duas principais candidaturas.

Paulo Rangel e Rui Rio apresentam duas propostas para o PSD completamente diferentes.Desde a definição dos eixos de governação até aos limites de convergências, para assegurar esses mesmo eixos de governação. E são três as principais (e fundamentais) diferenças que ambos têm claramente manifestado.

A primeira grande diferença prende-se com a visão de governação para Portugal. Rui Rio defende que o PSD deve estar disponível para governar em entendimentos com PS, desde logo porque insiste que a grande reforma do país tem de passar por uma revisão constitucional, que só pode ser feita com maioria qualificada.

Por outro lado, Paulo Rangel entende que o PSD tem de afirmar um caminho próprio que não contempla quaisquer visões de bloco central. Que a alternativa não se faz na convergência, mas na proposta diferenciadora de um rumo para o país.
A segunda grande diferença está nas linhas vermelhas da governação.

Rui Rio defende a possibilidade de entendimentos com um Chega “amansado”, ou seja, envolver um “Calma” (versão soft do Chega como já ironizei num anterior artigo que aqui escrevi) num Governo liderado pelo PSD.

Paulo Rangel assume claramente que não há entendimentos possíveis com o Chega ou sequer com um eventual “Calma”. Para Rangel, mais do que linhas vermelhas de governação, são linhas vermelhas da democracia.

Por fim, a linha ideológica, aquela que talvez possa dizer menos aos portugueses, mas deverá dizer mais aos militantes do PSD e que, acredito, está na origem das diferenças que estou a salientar.

Rui Rio defende um PSD ao centro, centro-esquerda, como matriz ideológica identitária do partido, colocando o Estado como motor de desenvolvimento da sociedade. É aliás essa matriz que o faz estar próximo de um PS que se quer afirmar como o partido que lidera a esquerda portuguesa.

Já Paulo Rangel identifica o PSD como o partido que tem o desígnio histórico de liderar o centro-direita e mobilizar a sociedade em torno da valorização da iniciativa privada como o seu motor de desenvolvimento.

Nestas matérias, com o devido respeito pela pluralidade interna que deve continuar a existir no PSD (e que o fortalecem e não diminuem), sou dos que entende que o PSD deve continuar a ser um partido abrangente, que engloba do centro-esquerda ao centro-direita.

Para mim, Rui Rio não deveria querer recuperar as derivas da ASDI, que em 1978 procuraram fraturar o PSD. Além disso, um partido de alternativa não pode apresentar-se a eleições propondo convergências com o mesmo partido que quer substituir no governo do país.

Por fim a eterna linha vermelha: nem Chega nem “Calma”. Não é possível estabelecer diálogo com partidos que têm como objetivo primeiro a destruição de tudo o que a democracia que construímos desde 1974, tem vindo a conquistar. Por isso, em coerência, só poderia apoiar Paulo Rangel como presidente do PSD e candidato a primeiro-ministro de Portugal.


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