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NBA. A borracha laranja que gerou um inesperado início de época

NBA. A borracha laranja que gerou um inesperado início de época

AFP Hugo Geada 10/11/2021 15:01

A presente temporada da NBA está a surpreender pela ineficácia no lançamento de triplos, a pior nos últimos 15 anos, e o mais baixo número de lançamentos livres da história da liga.

A nova temporada da NBA já trouxe surpresas agradáveis, como o profissionalismo com que alguns rookies (jogadores de primeiro ano) se apresentaram em campo, nomeadamente Scottie Barnes ou Evan Mobley, as opções número quatro e dois do draft, respetivamente; surpresas desagradáveis, jogadores, como Kyrie Irving, que se tem recusado vacinar contra a covid-19, mas também inesperadas surpresas, como a ineficácia dos melhores marcadores da época transata.

A conta de Twitter da página StatMuse, uma página dedicada à análise de estatísticas de desporto, publicou uma imagem onde apontava como os dez melhores marcadores de pontos da NBA na época 2020/21, nomeadamente, Steph Curry, Bradley Beal, Damian Lillard, Joel Embiid, Luka Doncic, Zach LaVine, Donovan Mitchell, Nikola Jokic, Devin Booker, Trae Young e De’Aaron Fox, este ano estão a marcar com menos frequência.

Uma das razões para a descida do número de pontos é o facto da taxa de sucesso do lançamento de 3 pontos, atualmente, um dos lançamentos mais comuns e a estratégia adotada pelas equipas que pretendem ganhar campeonatos, se encontrar no ponto mais baixo nos últimos 15 anos da liga.

Por que razão isto está a acontecer? Não existe uma resposta científica correta, mas alguns jogadores apontam para a nova bola que foi adotada pela liga. Trinta e oito anos depois, a NBA abandonou a Spalding como os seus fornecedores e passaram a utilizar a borracha laranja da Wilson, uma mudança que está a ser sentida pelos atletas.

“É uma bola diferente. Não tem o mesmo toque e suavidade que a bola da Spalding tem”, disse Paul George, estrela dos Los Angeles Clippers, que este ano estão privados do seu melhor jogador, Kawhi Leonard, devido a uma lesão, numa entrevista depois de um jogo, citado pela NPR. “Esta época, vão observar muitos lançamentos falhados… já vimos demasiadas airballs [lançamento em que a bola nem sequer chega a atingir o aro]”, observou.

Não é fácil comprovar especificamente que a ineficácia dos jogadores seja mesmo explicada pela mudança da bola, por exemplo, C. J. McCollum, atleta dos Portland Trail Blazers e Presidente da National Basketball Players Association, escreveu na sua conta de Twitter que a culpa de falhar lançamentos é dos “ballers” e não da “ball”, mas existe um fator mais palpável, nomeadamente, uma mudança no livro das regras.

A NBA introduziu uma regra nova esta época com a intenção de reduzir “movimentos anormais, abruptos ou evidentes” com a intenção de conseguir “ganhar” faltas e conquistar lances livres.

Este espólio de movimentos, que inclui, por exemplo, jogadores que se lançam de forma pouco natural contra os seus adversários, deixou de ser recompensado com faltas e, por isso, faz com que a liga esteja com o menor número de lances livres na sua história, um sinal de que a regra está a ter efeitos, mas que também influencia a performance dos jogadores.

Um dos mais afetados é o ex-MVP, James Harden. Se no ano passado o base dos Brooklyn Nets possuía, em média, 7,3 tentativas de lance livre por jogo, este ano, o atleta conta com apenas 4,6 tentativas, o número mais baixo desde o seu segundo ano na liga.

 

Uma caminhada dura para os veteranos Em termos coletivos, se equipas como os Miami Heat, com os seus novos reforços Kyle Lowry, PJ Tucker e Markieff Morris, ou os Philadelphia 76ers, sem Ben Simmons, que se recusa a jogar enquanto não for trocado, estão a surpreender pelo seu registo positivo, outras estão a encontrar dificuldades para responder às expectativas e a cara desta frustração são os Los Angeles Lakers.

Uma equipa liderada por LeBron James, que, apesar dos seus 36 anos, continua a ser indiscutivelmente um dos melhores jogadores da NBA, acarreta sempre uma responsabilidade adicional para garantir um lugar no topo da tabela, no entanto, esta tarefa não está fácil para a turma veterana de Los Angeles, que, no momento em que este artigo está a ser escrito, regista apenas 6 vitórias e 5 derrotas. Em comparação, os Golden State Warriors, que ocupam o primeiro lugar da conferência oeste, contam com 9 vitórias e apenas 1 derrota.

Um dos fatores que explicam este mau momento dos Lakers pode ser a ausência do próprio James, por lesão, mas existe uma falta de química e dinâmica entre o seu mais recente reforço, Russel Westbrook, base que foi consagrado como MVP da NBA em 2017, e o resto da equipa.

Apesar da energia e garra dentro de campo, a fraca capacidade de lançar triplos (Westbrook possui, historicamente, uma das piores percentagens de triplos acertados) torna o jogador, que no ano passado utilizava o equipamento dos Washington Wizards, um mau complemento para uma equipa cujos principais focos ofensivos são James e Anthony Davis, que também não são excecionais lançadores de longe, quando comparados com Stephen Curry, por exemplo.

A somar às questões táticas, existe ainda a questão da química entre os atletas, sendo um dos casos mais graves a discussão que ocorreu no banco da equipa, entre Davis e Dwight Howard, durante uma derrota contra os Phoenix Suns em que quase chegaram a vias de facto

A inconsistência dos Lakers é algo que a equipa técnica terá que resolver, mas não será fácil, ainda para mais depois do treinador da equipa ter anunciado que James irá demorar “mais tempo que o esperado” a recuperar da lesão.

 

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