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Algarve. Um fim de semana em grande

Algarve. Um fim de semana em grande

AFP Daniela Soares Ferreira 09/11/2021 10:14

Além do Moto GP, foram várias as provas desportivas que deram ao Algarve vários motivos para sorrir este fim de semana. O sol brilhou e o público disse ‘presente’. As perspetivas para a retoma são as melhores e agora é esperar que a pandemia continue a ajudar.

As imagens das televisões não deixam margem para dúvidas: o Algarve encheu para deixar passar o Moto GP e a região parece estar a viver uma das melhores fases deste o início da pandemia de covid-19, em março de 2020.

Para João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, a certeza é uma: este fim de semana correu “muitíssimo bem” para uma região fortemente afetada pela pandemia. A procura para o Moto GP foi muito boa: “Tivemos 43 mil bilhetes vendidos e próximo das 70 mil entradas durante o fim de semana. Tivemos naturalmente muitos portugueses mas também muitos espanhóis, ingleses, franceses... até porque o piloto que se sagrou campeão é francês, Fabio Quartararo”, diz João Fernandes.

Ainda sobre esta prova, que trouxe ao Algarve uma estrela do desporto quase em fim de carreira – Valentino Rossi – o responsável pelo turismo algarvio diz que chegaram alguns italianos à região. Mas não só. “O que se via era muitos adeptos do Rossi mas o Rossi é o melhor corredor de todos os tempos, por isso, tem adeptos que não são italianos”.

Na mesma linha de pensamento está Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) que diz que “o balanço destes eventos é sempre positivo porque para além de atrair um número elevado de espetadores, são eventos que têm uma grande projeção internacional” e, por isso, “funcionam tão bem como meios privilegiados e promoção e divulgação da região no exterior”.

Ao i, o responsável defende que “as unidades hoteleiras e de empreendimentos turísticos que estão na área de influência do autódromo, designadamente na zona de Portimão, Praia da Rocha, Alvor, Lagos, etc, tiveram ocupações elevadas naquelas unidades hoteleiras que receberam as equipas, os sponsors, os jornalistas, todo aquele círculo que acompanha esta prova e obviamente que isso teve reflexos também depois nas receitas e não apenas nos hotéis e empreendimentos mas também da restauração e do comércio em geral uma vez que os espetadores que vêm assistir às provas acabam depois por consumir um pouco por toda a região mas sobretudo naquela zona próxima do autódromo”.

Feitas as contas, não há dúvidas: o evento foi “muito bom”. E a justificação é simples: “Estas coisas são muito positivas, são eventos que se inserem naquela estratégia que temos vindo a defender de dotar o Algarve de meia dúzia de eventos âncora nos períodos de menor procura para que possam gerar fluxos turísticos importantes por um lado, e depois terem a tal cobertura mediática internacional que promove a região e, portanto, nessa perspetiva, é preciso garantir que estes eventos têm continuidade no futuro”, diz Elidérico Viegas acrescentando que “o que é preciso não é que estes eventos se realizem apenas um ano ou dois mas que se afirmem progressivamente nos calendários europeus das grandes realizações. Europeus e mundiais”.

Apesar de referir que o Moto GP não é “propriamente a Fórmula 1”, o presidente da AHETA nota que “não deixa de ser um evento de dimensão internacional e, portanto, cumpre aqueles objetivos que se pretende para a região”.

Mas foram os portugueses a “salvar” o fim de semana? Não só. Segundo Elidérico Viegas, apesar de termos “assistido sobretudo este ano” a uma enorme procura portuguesa, “já o ano passado isso se havia verificado nos meses de verão mas este ano mais, uma subida exponencial da procura por parte dos portugueses que influenciaram positivamente as ocupações. Contribuíram sobretudo em agosto, setembro e mesmo em outubro para a melhoria exponencial das taxas de ocupação comparativamente a 2020 mas ainda se encontram abaixo de 2019”.

Outros eventos importantes Mas a verdade é que o Algarve não recebeu apenas o Moto GP este fim de semana. “Tínhamos a decorrer o Portugal Master, o Moto GP, o triatlo internacional e uma prova de hipismo muito importante, o Vilamoura Champions Tour, que tem expressão ao nível mediático internacional e realmente correu tudo bastante bem”, diz João Fernandes. A título de exemplo, o responsável atira que no Portugal Master, existiram 24 mil espetadores em quatro dias, “o que é muito bom sobretudo para este reinício do golfe”. “Estamos a falar de uma prova que chega a quase 500 milhões de lares e cujo o retorno mediático está estimado em 63 milhões de euros, o que é naturalmente muito relevante sobretudo porque é sobre o produto turístico que mais ajuda a atenuar a sazonalidade na medida em que o golfe tem maior expressão no período intermédio do ano em termos de procura”, acrescenta.

Junta-se o Triatlo Internacional de Quarteira com a taça da Europa masculinos e femininos e com o campeonato mundial juniores de masculinos e femininos. “Estamos a falar de 700 atletas de 36 seleções, sendo que dentro dessas 36 seleções está o nosso top 10 de mercados emissores turísticos, o que também é relevante e também tem transmissão televisiva”.

Destaque ainda para o Vilamoura Champions Tour que é um conjunto de provas de hipismo que servem, no fundo, para os cavaleiros pontuarem para irem aos jogos olímpicos de Tóquio. “Estamos também a falar de 350 cavaleiros de 30 países no centro hípico de Vilamoura”. Por isso, não há dúvidas para João Fernandes: “Tivemos todas as razões para alargar aqui este período já de época baixa mas que vem no seguimento de um outubro muito interessante do ponto de vista da procura nacional e internacional pelo Algarve”.

E, feitas as contas, é certo que o turismo tem vindo a crescer nesta região. E, se tudo correr como esperado e se a pandemia não pregar partidas, “a reta final do ano dá-nos sinais de uma retoma que obviamente ainda fica aquém dos números de 2019 mas que já nos dá um ânimo para 2022”, prevê João Fernandes.

Voos particulares Ao i, João Fernandes diz que “este fim de semana e a propósito até de nos encontrarmos nestas provas, a aviação executiva de jatos particulares tem vindo a crescer no Algarve e, felizmente, é também um sinal de uma procura de um segmento com maior poder aquisitivo que é especialmente importante para reposicionarmos o destino Algarve”. Para o responsável é claro que “o destino Algarve é reconhecidamente reconhecido como melhor destino de Praia da Europa, como melhor destino de golfe do mundo, tem muitos outros apelos e tem que chegar a segmentos mais exigentes porque, felizmente, a oferta condiz com essa exigência”.

A época alta do golfe Depois da tradicional época alta do verão, o Algarve é agora palco da época alta do golfe que, nas palavras de Elidérico Viegas, “está a correr bem”. Lembrando que “a época alta do golfe coincide com a época baixa do turismo”, o responsável garante que se tem assistido “a um aumento da procura sobretudo nestes meses de setembro, outubro e novembro”. E as expectativas são as melhores: “Se tudo correr bem, se a pandemia não se agravar, estamos em condições de afirmar que estão criadas as condições para que nós possamos iniciar a retoma, recuperação da procura turística para o Algarve”, diz ao i. Embora recorde que “no que se refere ao alojamento isso só irá ocorrer a partir da Páscoa do próximo ano uma vez que, como sabemos, neste momento de período de estação baixa a estação é deficitária e uma grande parte dos empreendimentos encontra-se mesmo encerrado”.

Hotéis encerrados Atualmente, há vários hotéis encerrados no Algarve, como é o caso do Ria Park. Mas estes encerramentos não causam estranheza ao presidente da AHETA. “Tradicionalmente mais de 40% da oferta turística da região encerra durante a estação baixa”, diz, acrescentando que “isso já se verificava antes da pandemia e, naturalmente, vai verificar-se também agora”. Elidérico Viegas diz que “importa relembrar que na estação baixa a gestão é deficitária, o hotel que referiu é apenas um dos tais 40 e tal % que encerram durante o período de inverno”.

Já João Fernandes lembra que, no caso do Ria Park, este é um hotel que já fecha habitualmente neste período, naquilo que descreve como “estratégia comercial”. E diz que não é caso único. Mas, neste caso, “o grupo que é detentor desse hotel, tem o hotel Quinta do Lago que ficou aberto até mais tarde”. E explica: “Quando os grupos hoteleiros têm mais que uma unidade também acabam por jogar um pouco com a sua capacidade de forma a poder ajustar os custos da operação à procura”. Mas também o Hotel Quinta do Lago fechou portas este fim de semana e só voltará a abrir daqui a cinco meses, algo que alguns comerciantes acham lamentável. “Se os hotéis fecham, os clientes deixam de vir. Torna-se um ciclo vicioso e pouco motivador para combater a sazonalidade da região”, diz ao i um empresário da restauração.

Já João Fernandes tem outra leitura. “Não há dificuldade de alguém que queira deslocar-se ao Algarve ter, hoje, um alojamento com qualidade onde ficar”. Só que, “como habitualmente, no pico da épica baixa o Algarve tem menos capacidade do que na época alta”.

 

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